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quinta-feira, 26 de maio de 2011
LEITURA! Fundamental para o desenvolvimento intelectual.: A INCONSTITUCIONALIDADE DO PL 122
LEITURA! Fundamental para o desenvolvimento intelectual.: A INCONSTITUCIONALIDADE DO PL 122: "Antes de fazer qualquer comentário, é importante frisar que uma coisa é criticar conduta, outra é discriminar pessoas. No Brasil, pode-se cr..."
quarta-feira, 25 de maio de 2011
A INCONSTITUCIONALIDADE DO PL 122
Antes de fazer qualquer comentário, é importante frisar que uma coisa é criticar conduta, outra é discriminar pessoas. No Brasil, pode-se criticar o Presidente da República, o Judiciário, o Legislativo, os católicos, os evangélicos, mas, se criticamos a prática homossexual, logo somos rotulados de homofóbicos. Na verdade, o PL-122 é contra o artigo 5º da Constituição, porque o projeto de lei quer criminalizar a opinião, bem como a liberdade religiosa.
Vejamos alguns artigos deste PL:
Artigo 1º: Serão punidos na forma desta lei os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual, identidade de gêneros.
Comentário: Eles tentam se escorar na questão de raça e religião para se beneficiar. O perigo do artigo 1º é a livre orientação sexual. Esta é a primeira porta para a pedofilia. É bom ressaltar que o homossexualismo é comportamental, ninguém nasce homossexual; este é um comportamento como tantos outros do ser humano.
Artigo 4º: Praticar o empregador, ou seu preposto, atos de dispensa direta ou indireta. Pena: reclusão de 2 a 5 anos.
Comentário: Não serão os pais que vão determinar a educação dos filhos — porque se os pais descobrirem que a babá dos seus filhos é homossexual, e eles não quiserem que seus filhos sejam orientados por um homossexual, poderão ir para a cadeia.
Artigo 8º-A: Impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público, em virtude das características previstas no artigo 1º desta lei. Pena: reclusão de dois a cinco anos.
Comentário: Isto significa dizer que se um pastor, ou padre, ou diretor de escola — que por questões de princípios — não queira que no pátio da igreja, ou escola haja manifestações de afetividade, irão para a cadeia.
Artigo 8º-B: Proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs. Pena: reclusão de dois a cinco anos.
Comentário: O princípio do comentário é o mesmo que o do anterior, com um agravante: a preferência agora é dos homossexuais; nós, míseros heterossexuais, podemos também ter direito à livre expressão, depois que é garantida aos homossexuais. O parágrafo do artigo que vamos comentar a seguir "constituiu efeito de condenação".
Artigo 16º, parágrafo 5ª: O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.
Comentário: Aqui está o ápice do absurdo: o que é ação constrangedora, intimidatória, de ordem moral, ética, filosófica e psicológica? Com este parágrafo a Bíblia vira um livro homofóbico, pois qualquer homossexual poderá reivindicar que se sente constrangido, intimidado pelos capítulos da Bíblia que condenam a prática homossexual. É a ditadura da minoria querendo colocar a mordaça na maioria. O Brasil é formado por 90% de cristãos. Não queremos impedir ou cercear ninguém que tenha a prática homossexual, mas não pode haver lei que impeça a liberdade de expressão e religiosa que são garantidas no Artigo 5º da Constituição brasileira. Para qualquer violência que se cometa contra o homossexual está prevista, em lei, reparação a ele; bem como assim está para os heterossexuais. A PL-122 não tem nada a ver com a defesa do homossexual, mas, sim, quer criminalizar os contrários à prática homossexual — e fazem isso escorados na questão do racismo e da religião.
fonte: www.vitoriaemcristo.org
segunda-feira, 23 de maio de 2011
LEITURA DE APOIO - 1º 5 E 1º 6
Socialização
é a assimilação de hábitos característicos do seu grupo social, todo o processo através do qual um indivíduo se torna membro funcional de uma comunidade, assimilando a cultura que lhe é própria. É um processo contínuo que nunca se dá por terminado, realizando-se através da comunicação, sendo inicialmente pela "imitação" para se tornar mais sociável. O processo de socialização inicia-se, contudo, após o nascimento, e através, primeiramente, da família ou outros agentes próximos, da escola, dos meios de comunicação de massas e dos grupos de referência que são compostos pelas nossas bandas favoritas, actores, atletas, super-heróis, etc. A Socialização é o processo através do qual o indivíduo se integra no grupo em que nasceu adquirindo os seus hábitos e valores característicos. É através da socialização que o indivíduo pode desenvolver a sua personalidade e ser admitido na sociedade.A socialização é, portanto, um processo fundamental não apenas para a integração do indivíduo na sua sociedade, mas também, para a continuidade dos sistemas sociais.
É o processo de integração do indivíduo numa sociedade, apropriando comportamentos e atitudes, modelando-os por valores, crenças, normas dessa mesma culturas em que o indivíduo se insere.
§ Socialização Primária: onde a criança aprende e interioriza a linguagem, as regras básicas da sociedade, a moral e os modelos comportamentais do grupo a que se pertence. A socialização primária tem um valor primordial para o indivíduo e deixa marcas muito profundas em toda a sua vida, já que é aí que se constrói o primeiro mundo do indivíduo.
§ Socialização Secundária: todo e qualquer processo subsequente que introduz um indivíduo já socializado em novos sectores do mundo objectivo da sua sociedade (na escola, nos grupos de amigos, no trabalho, nas actividades dos países para os quais visita ou emigra etc.), existindo uma aprendizagem das expectativas que a sociedade ou o grupo depositam no indivíduo relativamente ao seu desempenho, assim como dos novos papéis que ele assumirá nos vários grupos a que poderá pertencer e nas várias situações em que pode ser colocado.
A Construção do Real - Resumo do livro
O autor afirma que para entendermos a sociedade precisamos olhá-la de maneira “objetiva e subjetiva”, pois trata-se de um processo dialético e não de uma seqüência temporal caracterizada por três momentos intrinsecamente ligados: exteriorização, objetivação e interiorização. Como exemplo destes três momentos, o autor diz que um sujeito externaliza seu “eu individual”, tornando-o objetivado na sociedade, ao mesmo tempo em que internaliza a partir da sociedade, os demais “eus individuais” já objetivados nela, num movimento contínuo. Porém o individuo não nasce fazendo parte da sociedade, para isso ele precisa passar por vários “processos de socialização” que acontecem sucessivamente ao longo da vida, mas que se dividem, basicamente, em dois momentos que o autor define como “socialização primaria” e “socialização secundária”. A socialização primaria é única e imprescindível na vida do indivíduo, dá-se na interiorização que acontece na infância com apreensão ou interpretação das primeiras coisas do mundo com que a criança tem contato, geralmente representado pelos pais e outros seres com os quais ela se relaciona. Nesse processo de socialização, ou seja, de interiorização, compreensão, interpretação e adequação que a criança passa para enfim chegar a fazer parte efetivamente da sociedade, o indivíduo passa a ter consciência de si próprio, dos outros e do mundo. Para isso, é preciso que se desenvolva nesse indivíduo o que o autor nomeia de “outro generalizado”, que é a somatória de papéis e atitudes que a criança presencia e assimila, depreendendo a partir deles as principais regras sociais. A linguagem também é o único conteúdo “universal”, ou seja, que todos os indivíduos interiorizam, pois cada sociedade vai disponibilizar conteúdos diferentes para que suas crianças tenham contato, com suas regras sociais próprias e assim por diante. Depois de internalizada, a linguagem torna-se o mais poderoso meio de interiorização e é por ela que se dará a apropriação de outros conceitos e regras sociais. É claro também que o indivíduo não é capaz de interiorizar “tudo” o que está disponível objetivamente na sociedade e que não se pode garantir que a interiorização de indivíduos de uma mesma sociedade aconteçam sempre de uma mesma maneira. Assim, é na socialização primaria que acontece na infância é a constituição do primeiro mundo do indivíduo e, na maioria das vezes, essa concepção é mais forte e dominadora do que todas as outras concepções que ele venha a conhecer posteriormente. O autor ressalta que a socialização primaria, assim como as regras sociais, variam de sociedade para sociedade, mas que ela só termina quando o conceito do “outro generalizado”, e todos os papéis e atitudes que ele representa, foram completamente interiorizados pelo indivíduo, que enfim, pode ser considerado parte da sociedade em que vive, pois conhece suas regras. Porém a socialização primaria não é única, total e permanente, pois toda sociedade tem divisões de trabalho e distribuição de conhecimento e, portanto, um indivíduo não pode fazer tudo ou saber de tudo. Para isso acontece a socialização secundária, na qual ocorrem as internalizações de “submundos sociais”. A socialização secundária é a internalização e a aquisição de novos conhecimentos relacionados a funções especificas e enraizados na divisão do trabalho que podem acontecer nas mais diversas esferas sociais, desde instâncias escolares até as militares. Nelas, os indivíduos internalizam novas regras sociais próprias daquele grupo em especial. A socialização secundaria também pode acontecer em etapas, pois para se chegar a um grupo social pode ser necessário ter conhecimentos e experiências prévias, como por exemplo, para se chegar a universidade tem-se que terminar satisfatoriamente o ensino básico e o médio. Essas etapas obrigatórias, como escola ou habilidades e conhecimentos específicos para se chegar a um determinado grupo social são sempre estabelecidas institucionalmente. O autor também afirma que enquanto a socialização primária depende de uma ligação emocional da criança, na secundária isso não é necessário. A idéia de que o mundo internalizado na socialização primária é único que existe pode vir a gerar muitos conflitos durante a socialização secundária, pois o indivíduo percebe que, na verdade, esse mundo é apenas o primeiro que ele conheceu dentre os muitos outros disponíveis. Serão necessários muitos e poderosos choques para desintegrar a concepção de mundo que a criança internalizou durante a socialização primaria, enquanto os mundos internalizados posteriormente, como a escola ou uma profissão, podem ser destituídos mais facilmente. Assim o “eu interior” de um indivíduo, internalizados na infância, pode facilmente conviver ou separar-se dos outros “eus” internalizados durante a socialização secundária. Do mesmo modo que uma segunda língua é aprendida “em comparação” a língua materna, se dará a socialização secundária em relação a socialização primária.
Fonte: http://pt.shvoong.com/humanities/1719751-constru%C3%A7%C3%A3o-real/#ixzz1NDs0Xucb
Fonte: http://pt.shvoong.com/humanities/1719751-constru%C3%A7%C3%A3o-real/#ixzz1NDs0Xucb
sexta-feira, 8 de abril de 2011
O Massacre no Rio
| O massacre de uma dezena e meia de jovens na escola estadual no Realengo/RJ, por um jovem de 23 anos que aparentemente e, até agora, motivo explícito nenhum teria para cometer esta tragédia nos coloca algumas questões que extrapolam o universo da tragédia produzida. Afirmar que o jovem Wellington era louco ou esquizofrênico ou algo assim, como alguns analistas estão fazendo, é escamotear as razões sociais por trás do crime. O fato particular e especial de ter colocado sua sanha assassina em andamento na escola onde estudou é muito significativo. Por que a escola e não um shopping, ou uma rodoviária, ou um ponto de ônibus cheio de gente? Voltar até a escola é o sinal mais evidente deixado por este jovem para entendermos suas razões. Matou na escola por que foi lá que viveu parte de sua vida infanto-juvenil. Descobrir e entender como foi sua vida estudantil naquela escola é a melhor forma de se compreender o que se passava em sua cabeça. A escola pública é hoje o caldeirão que sintetiza a sociedade inteira, especialmente naquilo que ela possui de problemas sociais, desajustas familiares, exclusão econômica, déficit emocional, falta de referências comportamentais e de valores que possam ser reproduzido pelos jovens. A escola pública a muito deixou de ser um lugar de formação e preparo, e há décadas que se resume a reunir uma camada social desajustada e no mais abandonada e para o qual os poderes públicos não têm projeto nem programa que possa lhes servir para transformar a vida. Explosões de violência entre alunos, descaso e inércia da burocracia escolar, professores agredidos e agredindo alunos mais uma infinita gama de coisas, já projetava a escola como o lugar potencial para uma tragédia como a que vimos. Wellington não enlouqueceu, ele resulta de um caldo cultural social urbano que ele não conseguiu contornar nem dá outro sentido, senão o sentido, trágico, que ele ofereceu para a sociedade. Morto socialmente (é um invisível), marginalizado numa instituição social, a escola, que nada oferece em termos de possibilidade futuras, largado a própria sorte (a morte da mãe), convivendo com tipos sociais com tão poucas possibilidades como ele, lançou mão do que possuía e conhece – a violência, a mesma violência que a sociedade reproduz todos os dias com seus discursos agressivos de felicidade e realização no consumo. Se o Brasil ofereceu a 3 ou 4 dezenas de milhões de pessoas a oportunidade de comer iogurte e comprar uma máquina de lavar, outros tantos que já comem e consomem não estão conseguindo ver luz no fim do túnel para além de um supermercado. Aqui mora a angústia. Comprar não torna ninguém mais feliz nem responde outros tipos fundamentais de pergunta. Wellington nos chama a atenção para coisas que estão além de nos satisfazermos na alegria infantil de consumidor. A vida social nas cidades do mundo está cercada de um nível intolerável de incerteza e indeterminação. Os níveis mais elevados de violência se encontram entre jovens de até 25 anos, faixa etária de jovem Wellington. Os jovens são os que mais estão expostos a liquefação da vida e ao desaparecimento de qualquer coisa ou instituição com que se possa contar. A incerteza, a indeterminação, a imprevisibilidade de qualquer coisa, especialmente sobre si mesmo e o próprio futuro, joga as novas gerações num grau de angustia, estresse e pressão que crescentemente tem terminado em quadros crônicos de Bullying, anorexia, bulimia, violência contra tudo e todos, quando não na explosão alucinada como a da escola do Realengo. Lembremos que vem crescendo ano a ano a violência contra a mulher, contra o gay, contra o idoso e contra a criança. Se cada caso é um caso, e é certamente todos eles se enlaçam como parte do mesmo caldo de transformações sociais e culturais que o Brasil e o mundo estão vivendo. A promessa de felicidade e realização via mercado não se cumpriu e as pessoas não encontram outra via para viver e se realizar. Wellington matou e muitos outros gostariam de fazer o mesmo. Segundo a OMS a sociedade ocidental está doente (referindo-se a quantidade de remédios do tipo seja feliz com um comprimido que as pessoas ocidentais tomam) e, Wellington é fruto desta doença. Este jovem estourou como um tumor na pele da sociedade, mas todos os dias a conta gotas vemos milhares de pessoas morrendo anônima e violentamente nas cidades brasileiras. Wellington matou dezenas e isso é um massacre, mas a crise financeira de 2008, produzida a partir de Wall Street, levou a falência países inteiros por todo o mundo e a morte de milhares de pessoas e, isso é a barbárie. Mas tanto um como outro resultam da mesma cultura de morte. Luciano Alvarenga, Sociólogo |
domingo, 6 de março de 2011
SILÊNCIOS QUE FALAM
Desde quando vivi de muito perto a experiência da “revolta dos estudantes” de maio de 1968 em Paris, comecei a duvidar das teorias que aprendera sobre as mudanças sociais no mundo capitalista.
Essas estavam baseadas na visão da História como uma sucessão de lutas entre as classes sociais visando ao controle do Estado para, por intermédio dele, seja manter a dominação de classes, seja destruir todas elas e construir a “sociedade do futuro” sem classes e, portanto, sem que os partidos tivessem função relevante.
A qual seria crucial, na visão dos revolucionários do século XX de inspiração leninista, apenas na “transição”, quando se justificaria até mesmo a ditadura do proletariado, exercida pelo partido.
Pois bem, nas greves estudantis da Universidade de Paris, em Nanterre e na Sorbonne (assim como nos campos universitários americanos, com outras motivações) que acabaram por contaminar a França inteira e repercutiram pelo mundo afora, vi, perplexo, que as palavras de ordem não falavam em “anti-imperialismo” e só remotamente mencionavam os trabalhadores, mesmo quando esses, atônitos, entravam nos auditórios estudantis “ocupados” pelos ativistas jovens.
Falava-se em liberdade, em ser proibido proibir, em amor livre, em valorizar o indivíduo contra o peso das instituições burocratizadas, e assim por diante. É verdade que nas passeatas havia bandeiras negras (dos velhos anarquistas) e vermelhas (dos bolcheviques). Faltavam os símbolos do novo e mais, na confusão ideológica geral, pouco se sabia sobre o que seria novo nas sociedades, isto é, nas estruturas sociais, do futuro.
Por outro lado, o estopim da revolta não foram as greves trabalhistas, que ocorreram depois, nem choques no plano institucional, mas pequenos-grandes anseios de jovens universitários que, como em um curto-circuito, incendiaram o conjunto do país.
Só que, logo depois, De Gaulle, vendo seu poder posto à prova, foi buscar apoio nos paraquedistas franceses sediados na Alemanha e, com a cumplicidade do Partido Comunista, restabeleceu a antiga e “boa” norma.
Por que escrevo essas reminiscências? Porque desde então o mundo mudou muito, principalmente com a revolução informática. Crescentemente as “ordens estabelecidas” desmoronam sem que se perceba a luta entre as classes.
Foi assim com o desmoronamento do mundo soviético, simbolizado pela queda do Muro de Berlim. Está sendo assim hoje no Norte da África e no Oriente Médio.
Cada vez mais, em silêncio, as pessoas se comunicam, murmuram e, de repente, se mobilizam para “mudar as coisas”. Nesse processo, as novas tecnologias da comunicação desempenham papel essencial.
Até agora, ficaram duas lições. Uma delas é que as ordens sociais no mundo moderno podem se desfazer por meios surpreendentes para quem olha as coisas pelo prisma antigo. A palavra, transmitida à distância, a partir da soma de impulsos que parecem ser individuais, ganha uma força sem precedentes.
Não se trata do panfleto ou do discurso revolucionário antigo e nem mesmo de consignas, mas de reações racional-emocionais de indivíduos.
Aparentemente isolados, estão na verdade “conectados” com o clima do mundo circundante e ligados entre si por intermédio de redes de comunicação que se fazem, desfazem e refazem, ao sabor dos momentos, das motivações e das circunstâncias.
Um mundo que parecia ser basicamente individualista e regulado pela força dos poderosos ou do mercado, de repente, mostra que há valores de coesão e solidariedade social que ultrapassam as fronteiras do permitido.
Mas ficou também a outra lição: a reconstrução da ordem depende de formas organizacionais, de lideranças e de vontades políticas que se expressem de modo a apontar um caminho. Na ausência delas, volta-se ao antigo — caso De Gaulle — ou, na iminência da desordem generalizada, há sempre a possibilidade de um grupo coeso e nem sempre democrático prevalecer sobre o impulso libertário inicial.
Noutros termos: recoloca-se a importância da pregação democrática, da aceitação da diversidade, do direito “do outro”.
Talvez seja este o enigma a ser decifrado pelas correntes que desejem ser “progressistas” ou “de esquerda”. Enquanto não atinarem ao “novo” nas circunstâncias atuais — que supõe, entre outras coisas, a reconstrução do ideal democrático à base da participação ampliada nos circuitos de comunicação para forçar maior igualdade —-, não contribuirão para que a cada surto de rebeldia em sociedades tradicionais e autocráticas surjam de fato formas novas de convivência política.
Agora mesmo, com as transformações no mundo islâmico, é hora de apoiar em alto e bom som os germens de modernização, em vez de guardar um silêncio comprometedor. Ou, pior, quebrá-lo para defender o indefensável como Hugo Chávez ao dizer “que me conste, Khadafi não é assassino”.Ou como Lula, que, antes, chamou-o de “líder e irmão”!
Para não falar dos intelectuais “de esquerda” que ainda ontem, quando eu estava no governo, viam em tudo que era modernização ou integração às regras internacionais da economia um ato neoliberal de vende-pátria.
Exigiam apoio a Cuba, apoio que não neguei contra o injusto embargo à ilha, mas que não me levou a defender a violação de direitos humanos.
Será que não se dão conta que é graças ao maior intercâmbio com o mundo — e principalmente com o mundo ocidental — que hoje as populações do Norte da África e do Oriente Médio passam a ver nos valores da democracia caminhos para se libertarem da opressão?
Será que vão continuar fingindo que “o Sul”, nacional-autoritário, é o maior aliado de nosso desenvolvimento, quando o governo petista busca, também, maior e melhor integração do Brasil à economia global e ao sistema internacional, sem sacrifício dos nossos valores mais caros?
Há silêncios que falam, murmuram, contra a opressão. Mas há também silêncios que não falam porque estão comprometidos com uma visão que aceita a opressão. Não vejo como alguém possa se imaginar “de esquerda” ou “progressista” calando no momento em que se deve gritar pela liberdade.
Fernando Henrique Cardoso é sociólogo e ex-presidente da República
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Drogas as portas da igreja e de jovens evangélicos
Para quem observa hoje o trabalho e o envolvimento do obreiro Johnnatan com a juventude da Igreja Internacional da Graça de Deus, onde se prepara para o pastorado, é até difícil imaginar o que pode ter acontecido para um moço aparentemente tão fervoroso espiritualmente ter se esfriado tanto. “As pessoas sempre me viam nos cultos, mas não sabiam o que se passava comigo”, conta. Repetindo o que acontece com tantoa garotos que crescem numa aparente segurança espiritual dentro das igrejas, ele estava longe da fé fervorosa da avó, que sempre o levava aos cultos. “Eu achava tudo muito careta e, influenciado por alguns amigos, pensava que ser crente era viver escondido atrás de uma Bíblia”. Aos 19 anos, o rapaz deixou a igreja. Com a “ajuda” daqueles mesmos amigos, começou a beber. Dali para as drogas, foi um passo.
A família, no entanto, não desconfiava de nada. Só veio a descobrir a verdade quando Jonathan foi morar com a mãe, na capital paulista. Como o que ganhava já não era suficiente para comprar tóxicos, começou a vender coisas de casa até ser flagrado pela mãe. Já estava dominado pelo vício. Nos anos seguintes, não foram poucas as tentativas de deixar as drogas, mas elas sempre terminavam em fracasso. Bastava uma discussão que o deixasse mais nervoso para Johnnatan mergulhar novamente naquele mundo. “Quando ficava desempregado ou o dinheiro acabava, vinham as vozes no ouvido: ‘Por que você não se mata? Jogue-se da ponte!’. Era terrível”, recorda. Conseguiu sobreviver até que um de seus patrões o levou de volta à igreja, onde recebeu a Cristo como Salvador. Logo foi incentivado a largar o vício. Essa decisão, assim como a de romper com velhas amizades e até mesmo um namoro, foram decisivas para que ele tivesse êxito.
Histórias de crentes que enfrentam o pesadelo das drogas chegam a soar muitas vezes quase como surreais. Porém, o que mais impressiona não são experiências sobrenaturais ou as misérias enfrentadas quando a pessoa chega ao fundo do poço, mas perceber que esses casos se multiplicam. Por si só os números que envolvem as drogas têm dimensões infinitamente maiores do que qualquer das pragas descritas no Apocalipse. Estima-se que, em todo mundo, mais de 210 milhões de pessoas usem algum tipo de droga ilegal. Dessas, de acordo com levantamento da Organização das Nações Unidas, 26 milhões enfrentam problemas sérios, como a dependência de substâncias mais pesadas, especialmente nos grandes centros urbanos. É um problema de saúde pública, inclusive no Brasil, onde estima-se que haja quase 900 mil usuários. Mas, quando se pensa que uma parte desse contingente é formado por jovens filhos de crentes ou desviados das igrejas, a preocupação é ainda maior.
O pastor Cilas, dirigente de uma igreja pentecostal do Rio de Janeiro, pede que a reportagem omita seu sobrenome e o nome de seu filho mais novo, de 22 anos. Mas não esconde que vive esse drama: “Eu prego a libertação que há em Jesus no púlpito, mas esse processo ainda não aconteceu na minha casa”, lamenta o religioso. No fim da adolescência, o filho, que desde bebê acostumou-se a ouvir cânticos e mensagens de fé na congregação frequentada pela família, deixou de ir aos cultos. Alegava que queria ficar em casa e assistir televisão aos domingos, mas quando se via sozinho, saía furtivamente. “Pensamos que era aquela coisa de adolescente rebelde, que um belo dia vai ter uma experiência com Cristo e mudar de vida”, diz Cilas. O problema era muito maior – o garoto já andava com outros rapazes mais velhos, que o iniciaram nas drogas. Passo seguinte, abandonou os estudos e agora pouco aparece em casa, para desespero dos pais. “Às vezes, fico semanas sem vê-lo, sem nem mesmo saber se está vivo ou morto”, entristece-se o pastor, que admite a própria culpa. “Tinha tanto interesse em buscar as almas perdidas que não percebi que tinha um perdido sob meu teto.”
RELAÇÃO PERIGOSA
Não existem pesquisas nem números que quantifiquem de fato essa relação perigosa dos jovens evangélicos com as drogas. Mas basta analisar o perfil dos pacientes internados nas muitas casas de recuperação para dependentes químicos espalhadas pelo Brasil para perceber que vários deles têm ou tiveram alguma relação anterior com o Evangelho. Essa constatação se repete nas ruas. No Rio de Janeiro, missionários que trabalham nas favelas costumam relatar encontros em que traficantes pedem orações. “Cansei de conhecer traficantes filhos de crentes”, confirma o missionário Pedro Rocha Júnior, de Jovens com uma Missão, a Jocum. Atualmente no Cairo (Egito), ele passou mais de uma década pregando o Evangelho e prestando serviços sociais no Morro do Borel, zona norte da capital carioca, num tempo em que a comunidade era dominada pelo narcotráfico. “Muitos dos traficantes tinham nomes bíblicos, como Ezequiel, Davi, Josué. Gente criada na igreja, mas que depois pulou fora e caiu no vício.”
Em São Paulo, na chamada Cracolândia – área da região central da cidade que ganhou fama pelo tráfico de drogas e pela prostituição, além dos delitos praticados a céu aberto e em plena luz do dia –, meninos e meninas que um dia cantaram em corais juvenis de igrejas agora não passam de moribundos que vagam pelos becos alucinados pela próxima dose. “É assustador ver que tanta gente com quem trabalhamos saiu de igrejas e provêm de famílias evangélicas. Seja por terem uma religião apenas nominal ou por experimentarem alguma frustração com o sistema, foram presas fáceis para a tentação das drogas”, explica a advogada e missionária Selma Maria de Oliveira, de 33 anos. Ela integra a Missão Cena, organização interdenominacional que trabalha na região da Cracolândia. Sua sede, localizada próximo dali, é um refúgio para quem já não pode contar com mais nada nem ninguém. A cada terça-feira, centenas de moradores de rua e viciados dirigem-se à base para comer, tomar banho, cortar o cabelo e trocar de roupa. Lá, encontram abrigo temporário, mas que pode se transformar em permanente: após passar por uma triagem, os usuários de drogas têm a possibilidade de conseguir tratamento na Fazenda Nova Aurora, centro de recuperação que a missão mantém em Juquitiba, no interior paulista.
A impressão dessa alta presença de ex-crentes entre os viciados foi partilhada pelo repórter de CRISTIANISMO HOJE. A revistaacompanhou na região central de São Paulo o trabalho de uma equipe de obreiros da Cena. Conversando com usuários de drogas como o crack, é possível perceber a origem e formação evangélica de diversos deles, como um rapaz que falava da Bíblia para moradores de rua. Antes, líder do louvor numa igreja pentecostal, ele agora se tornou traficante. Mesmo pedindo para não ser identificado, falou um pouco sobre sua história. Ainda guarda do Evangelho a certeza de que há perdão e restauração em Cristo, mas, por enquanto, diz não ter forças para sai do fundo do poço. “Tenho esperança de que um dia voltarei para os caminhos do Senhor”, diz. Mesmo assim, garante, fala do amor de Jesus aos outros. “Até ensino o pessoal a cantar alguns hinos”, diz, sorrindo.
“Há pelo menos quatro fatores que podem explicar o vício entre os jovens: o físico, o psicológico ou emocional, o social – e também o espiritual”, explica a psicóloga Gisele Aleluia, professora do Instituto de Integração da Família (Inif) e de pós-graduação na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Coautora do livro Drogas.sem (Editora BestSeller), em que orienta como ajudar alguém que pretende deixar o vício, ela diz que os adolescentes são presas fáceis quando buscam reconhecimento entre os amigos e acham que as drogas os ajudarão a ser mais populares ou vencer a timidez na hora de namorar. Já outros, na ponta oposta, são por demais curiosos e autossuficientes para achar que correm riscos. “A mesma falta de perspectivas pode ser encontrada entre aqueles inseguros, que vão atrás de alívio para seus problemas”, aponta.
Pesquisa recente mostrou que um em cada quatro estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública brasileira já experimentou algum tipo de droga, além do cigarro e das bebidas alcoólicas. Num desafio ao bom senso, experimentam esse tipo de substância cada vez mais cedo. Há dez anos, a média de idade para o primeiro contato era de 14 anos. Agora, não passa de onze. As pesquisas também revelam que, devido à exibição na televisão dos efeitos devastadores dos entorpecentes na vida de viciados e às campanhas de prevenção, a juventude brasileira sabe o tamanho desse problema. Ainda assim, boa parte dela não consegue ficar longe de um baseado de maconha ou um papelote de cocaína.
“No meio evangélico, some-se a tudo isso o ambiente repressor de muitas igrejas. Ao sair desse sistema, o jovem está vulnerável e despreparado”, continua a psicóloga Gisele. “Justamente por conta dessa tolerância para com os de fora e intolerância para os de dentro, a igreja tem facilidade para lidar com quem pede ajuda e dificuldade para auxiliar alguém já recuperado que recai”, diz. Membro do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC), ela lembra o caso de um de seus pacientes. Filho de pastor, hoje, ele luta contra o vício. “A pessoa quer mostrar sua rebeldia usando tóxicos. No caso desse rapaz, ele me confessou que seu pai o havia prendido a vida inteira. Finalmente, quando conseguiu sair, saiu demais.”
ESPIRITUALIDADE TERAPÊUTICA
Do ponto de vista da ciência, as drogas são uma doença. Um problema sério, capaz de acabar com relacionamentos e inviabilizar o estudo e o trabalho – e que precisa do devido acompanhamento e de soluções à altura. Mesmo assim, até na área médica já existe um consenso de que a espiritualidade tem um papel muito importante para prevenir e tratar a dependência química. No mais amplo estudo realizado no Brasil sobre o tema, de autoria de pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp), mais de 16 mil estudantes foram envolvidos. A conclusão foi de que a religiosidade é fator importante de prevenção ao vício.
Essa também é a opinião dos órgãos governamentais responsáveis pela política nacional de combate às drogas. “As instituições religiosas são fundamentais para minimizar o impacto do uso das drogas na população. Ter fé auxilia no enfrentamento do estresse e de situações difíceis na vida, que são fatores de risco para o uso dessas substâncias”, defende Paulina Duarte, secretária adjunta da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Dentro da estratégia de priorizar a prevenção, um dos principais projetos da instituição é o curso Fé na Prevenção, desenvolvido para capacitar os religiosos a trabalhar na área. O objetivo era chegar ao fim de 2010 com 200 mil pessoas treinadas.
“Valores espirituais protegem a pessoa das drogas. Por isso, torna-se tão importante falar a língua do jovem”, faz coro Gisela. Acontece que normalmente famílias e igrejas que enfrentam o perigo das drogas com seus jovens têm dificuldade para fazer a pressão na medida certa e ao mesmo tempo manter o mínimo de diálogo. Na lacuna, quem entra com força são os centros especializados no acolhimento e tratamento a viciados. Não por acaso, a maior parte das casas de recuperação são evangélicas ou católicas, sendo procuradas também por quem não tem religião. Mas a demanda é grande demais, inclusive por parte das igrejas e famílias evangélicas que as veem como última esperança. Só a Federação de Comunidades Terapêuticas Evangélicas do Brasil (Feteb) representa cerca de 300 instituições do gênero no Brasil. Quem atua no setor quer fazer mais. “Para prestar um serviço relevante à sociedade precisamos nos qualificar, mas também melhorar nossa estrutura física”, diz o presidente da entidade, pastor Wellington Vieira. “Um primeiro passo é o reconhecimento dos governos federal, estaduais e municipais ao nosso serviço e parcerias que nos permitam adaptar-nos às exigências da Vigilância Sanitária para o funcionamento das clínicas”, reivindica.
A fé, contudo, não faz milagres sozinha. “Não adianta somente se dizer evangélico. Se a família que frequenta a igreja é disfuncional, a chance de seus filhos pararem nas drogas é alta”, constata o pastor Carlos Roberto Pereira da Silva, do Desafio Jovem de Rio Claro (SP). Desde 1998, a casa é a representante oficial do Ministério Desafio Jovem Internacional, criado quarenta anos antes nos Estados Unidos pelo pastor David Wilkerson, cuja história está registrada no best-seller A cruz e o punhal (Editora Betânia). Na época, Wilkerson, pastor de uma Assembleia de Deus no interior do país, mudou-se para Nova Iorque a fim de evangelizar gangues que disputavam o poder nas ruas da metrópole.
“O tratamento é melhor estruturado e mais complexo agora”, destaca Carlos, “mas, ainda hoje, a filosofia de trabalho permanece a mesma. Temos uma das melhores porcentagens de recuperados no país, com mais de 70% de sucesso. Nos Estados Unidos, o índice chega a 86%”. Ele é parte dessa estatística, já que, no passado, foi viciado e chegou a roubar e traficar drogas. Com conhecimento de sobra, o pastor não tem ilusões em relação ao assunto. “Infelizmente, muitas igrejas querem lidar com viciados sem o mínimo de estrutura. Não se tira alguém das drogas com uma simples oração ou unção com óleo”. Mas sabe que o Evangelho de Jesus continua tendo poder de mudar vidas. “Acredito que a Igreja brasileira continua sendo um lugar terapêutico, mas é preciso voltar a tocar a trombeta do despertamento.”
Johnnatan, o futuro pastor que abre a reportagem, tem feito isso. Exceção à regra, ele superou o vício sem precisar ser internado em uma casa de recuperação. Mas sabe que precisa vigiar. As recaídas são das maiores ameaças a ex-viciados, e ele já passou pela experiência. “E não quero repetir nunca mais”, afirma. Consciente da situação, hoje Johnnatan ajuda a tirar outros jovens do submundo das drogas. Quase toda semana, visita instituições de atendimento, onde testemunha e encoraja os internos a continuarem o tratamento. “Se eu consegui, você também consegue”, costuma repetir para rapazes e moças – muitos dos quais, como ele, deixaram para trás os tempos de comunhão com o Senhor e os irmãos para entrar num caminho nem sempre com retorno.
Fonte: Cristianismo Hoje – por:Por Marcos Stefano – post inforgospel.com.br-08/02/11
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
PSDB escala FHC para se aproximar de jovens e ignora Serra
PSDB escala FHC para se aproximar de jovens e ignora Serra
Votação do candidato derrotado à Presidência foi lembrada no programa do partido, mas, ao contrário de Aécio, não houve menção à sua gestão em São Paulo
03 de fevereiro de 2011 | 20h
Anne Warth, da Agência Estado
SÃO PAULO - O programa do PSDB que foi ao ar na noite desta quinta-feira, 3, mostrou um partido preocupado em desconstruir a popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, renovar a imagem da sigla e aproximar os tucanos dos eleitores jovens. Dos dez minutos destinados à propaganda partidária, metade explorou a figura do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que respondeu a perguntas feitas por jovens em uma espécie de talk show. Na segunda parte, lideranças se revezaram em um balanço do desempenho do PSDB nas eleições do ano passado e do papel que o partido pretende ter como oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff. Enquanto o senador Aécio Neves (MG) foi citado pelo narrador e teve várias imagens veiculadas, o candidato derrotado do PSDB à Presidência, o ex-governador José Serra, foi ignorado pela narração.
FHC reconheceu os avanços socioeconômicos do País nos últimos anos, mas disse que Lula o decepcionou ao fazer uma gestão que avaliou como conservadora e complacente com a corrupção. "Eu conheci o Lula no ABC, em São Bernardo do Campo, o Lula inovador, que dizia que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) precisava ser liberada, que os trabalhadores precisavam de uma nova forma de relação, um sindicato mais independente, um plano de reformas, que precisava mudar o Brasil", afirmou FHC. "Ele não fez isso. Acho que ele foi conservador, aceitou muita coisa que não era boa de aceitar. Todo mundo faz alianças, eu também fiz, mas ele ficou até o fim, até promoveu mais alianças com setores muito atrasados no Brasil e permitiu que houvesse uma certa complacência com corrupção. Nesse lado me decepcionou, talvez mais como pessoa do que como presidente."
No programa, FHC disse que os partidos brasileiros, de forma geral, e o PSDB, especificamente, precisam de uma "chacoalhada". Disse que o PSDB foi fundado para renovar o Brasil e a política. "Mas precisamos estar mais próximos das pessoas, do povo, com menos pompa e coisas mais diretas", afirmou. Ele também fez um discurso em defesa do meio ambiente. "Precisa ter juízo, bom senso, não dá pra crescer a qualquer custo, a qualquer preço. Isso é o passado, no período dos militares era assim, cresce, cresce, cresce, destrói, grandes obras, não se preocupa com nada. Isso não é mais saudável, o mundo hoje quer crescimento com respeito ao verde e nós precisamos e podemos fazer isso."
Na segunda metade do programa, os destaques são a participação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), do líder do partido na Câmara, Duarte Nogueira (SP), e do senador Álvaro Dias (PR). Aécio e Serra não gravaram declarações, mas enquanto o ex-governador de Minas foi citado como gestor bem sucedido, bem sucedidas do Estado, seu colega paulista não foi lembrado pelo narrador. A única referência falada a Serra veio de Guerra, que lembrou a votação do tucano na eleição do ano passado.
Guerra foi o mais crítico em todo o programa. Sem citar o nome de Lula nem o de Dilma, ele ressaltou que Serra obteve 44 milhões de votos nas eleições. "Parte expressiva da população não concorda em continuar tudo do jeito que está. Lutamos contra um adversário que abusou do poder econômico e zombou da Justiça Eleitoral", afirmou. Em mais uma menção sobre as eleições, Guerra negou que o PSDB tenha a intenção de dividir o País. "Somos todos um só, um só povo, uma só nação. Nós não queremos dividir o Brasil. Nós, do PSDB, queremos a mesma coisa que você quer. Um país melhor de verdade", afirmou.
Alckmin foi o único dos 10 governadores eleitos pelo partido no ano passado a gravar uma participação no programa. Coube ao locutor do programa citar e apresentar os demais governadores. "O PSDB não é apenas o partido das boas ideias. Nós somos o partido que é capaz de transformar para melhor e de verdade a vida das pessoas", disse Alckmin. "Isso é percebido e aprovado pela população. Essa capacidade de governar nos tornou o partido que mais elegeu governadores no País."
Álvaro Dias e Duarte Nogueira defenderam uma atuação "implacável" contra a corrupção, uma oposição fiscalizadora, as reformas, o reajuste da tabela do imposto de renda e o salário mínimo de R$ 600.
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