sábado, 8 de setembro de 2012

Comissão aprova competência exclusiva para ensinar sociologia


A Comissão de Educação e Cultura aprovou nesta quarta-feira (5) o Projeto de Lei 1446/11, do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que estabelece a competência exclusiva para o ensino da Sociologia aos licenciados em Sociologia, Sociologia Política ou Ciências Sociais. A proposta altera a Lei6.888/80, que dispõe sobre a profissão de sociólogo.

Segundo o autor do projeto, como a lei não previu exclusividade para o sociólogo no ensino da disciplina, outros profissionais tem tomado esse espaço tanto no ensino médio como no superior. O parecer do relator, deputado Luiz Noé (PSB-RS), foi favorável, com emenda. Ele propõe prazo de cinco anos para que os sistemas de ensino se adaptem à medida.

“É preciso dar um prazo mínimo para que os sistemas de ensino possam se adequar àsmudanças introduzidas, sobretudo porque muitas escolas de ensino médio ainda não dispõem de professores qualificados e habilitados ao exercício do magistério em Sociologia”, argumenta.

Tramitação
De caráter conclusivo, a proposta será analisada agora pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.


http://www.sondabrasil.com.br/new.asp?cod=18437&dpto=1

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A verdade sobre a paternidade homossexual - ou uma verdade inconveniente ou ainda heterofobia acadêmica


A verdade sobre a paternidade homossexual

O sociólogo Mark Regnerus, bastante criticado, fala sobre seus mais recentes estudos sobre famílias com casais homossexuais.

Se quiser saber como foram os últimos meses do sociólogo da Universidade do Texas, Mark Regnerus basta ler a última edição da revista conservadoraWeekly Standard. Na capa da edição de julho da revista há dois capangas encapuzados girando maliciosamente uma roda de tortura medieval onde Regnerus está preso, suando em bicas tentando se manter inteiro. O verso da página – “A vingança dos sociólogos: os perigos das pesquisas acadêmicas politicamente incorretas” – sugere a situação provocada pela publicação da mais nova pesquisa de Mark Regnerus, assim como um discurso político mais amplo a respeito do casamento homossexual.
   O relatório, conhecido como New Family Structure Studies (NFSS) (“Estudos sobre a Nova Estrutura Familiar”) é notável em seu escopo. Trata-se de uma amostra nacional aleatória considerada o “padrão de ouro” das pesquisas de ciências sociais. O NFSS mede os efeitos econômicos, políticos e psicológicos em jovens adultos, de 18 a 39 anos, que cresceram em famílias onde ou o pai ou a mãe se envolveram em relações homossexuais. Apesar da cautela demonstrada por Regnerus ao afirmar repetidas vezes que o NFSS não leva em conta casamentos estáveis do mesmo sexo (já que casamentos do mesmo sexo não existiam quando esses entrevistados eram crianças), ele tem sofrido censura profissional. O Social Science Research está realizando uma auditoria interna sobre o processo de revisão do NFSS, e a Universidade do Texas, em Austin, está investigando as alegações feitas por Regnerus de “má conduta científica”.
   Regnerus aceitou conceder uma entrevista por e-mail a Christianity Today para esclarecer os fatos a respeito da NFSS e seus dissabores.
Outros estudos foram feitos a respeito do bem-estar de crianças criadas por casais do mesmo sexo com a conclusão de alguns sociólogos, de que não há diferença entre estas e aquelas criadas por casais heterossexuais. Por que foi necessária a presença do NFSS dessa vez?
   A maioria dos estudiosos da família havia, até recentemente, afirmado de maneira consistente a elevada estabilidade e as vantagens (para as crianças) de um ambiente familiar constituído por pais biológicos casados e heterossexuais, em contraste com todos os outros “modelos” de família. Outros tipos de arranjos familiares não atingiram níveis desejados de desenvolvimento, como a realização educacional, e apresentaram problemas de comportamento e bem-estar emocional.
   Para os filhos de lésbicas e gays americanos, no entanto, os cientistas sociais parecem ter mudado de opinião radicalmente. Desde 2001, e em maior escala atualmente, estudiosos têm declarado cada vez mais que “não há diferença” entre pais heterossexuais ou homossexuais, e alguns inclusive sugerem que pais do mesmo sexo podem ser até mais competentes do que um homem e uma mulher em um arranjo familiar tradicional. Dez anos é muito pouco tempo para derrubar um paradigma tão estável, e, francamente, alguns de nós consideramos isso um tanto suspeito, e, portanto, decidimos pesquisar a respeito nós mesmos.
   Acredito que o único componente sensível ao tempo nesse estudo, é o fato de que era o momento de avaliar o que se tornou uma drástica mudança de consenso sobre o assunto.
Como a metodologia utilizada em sua pesquisa se compara com aquelas usadas em pesquisas anteriores sobre este tema?
Esta é a principal área de distinção entre meu estudo e os outros. Quase todos os estudos feitos antes desse eram pequenos e “não-aleatórios”. Isto é, não temos a menor ideia do quão semelhantes à maioria dos participantes dos outros estudos são à população que eles procuram estudar. E em relação a vários estudos anteriores, acredito que haja motivos para o ceticismo. Por exemplo, se você sabe que está participando de um pequeno estudo sobre paternidade gay, e que isso será notícia e que talvez tenha ramificações políticas, acredito que seja justificável o questionamento de estudiosos sobre a validade dos dados.
   O NFSS, por outro lado,  é muito maior do que a maioria dos outros, e trata-se de uma amostra aleatória da população americana entre as idades de 18-39 anos. Não me concentrei na orientação sexual dos pais – afinal de contas, era uma época bastante diferente – mas no comportamento deles nos relacionamentos. Comparei então, como jovens adultos cujos pais ou mães se envolveram em relacionamentos homossexuais se saíram quando comparados a outros tipos de arranjo matrimonial, inclusive a relação tradicional e biologicamente intacta entre um pai e uma mãe.
Explique brevemente como você identificou “mães lésbicas” e “pais gays” no estudo. Não se tratam de casais estáveis do mesmo sexo, que decidiram adotar ou fazer fertilização in vitro, certo?
Os dados permitiram que surgissem casais gays e lésbicos estáveis, mas pelo menos na época em que estou avaliando, isso não era comum. Da mesma maneira, a barriga de aluguel e a tecnologia de reprodução assistida também não eram. São artifícios bastante caros, ainda hoje. Outro trabalho realizado a respeito deste assunto observa que “a literatura sobre casais do mesmo sexo tende a apresentar estudos sobre o tipo de mulheres que podem pagar por tecnologia de reprodução assistida: mulheres brancas, de classe média alta”. Mas esse é o estereótipo criado pela mídia sobre pais e mães gays, embora os dados do Estudo Nacional do Crescimento Familiar tenham revelado que estes tem menos propensão de desejar filhos do que pais e mães gays que não sejam brancos. Então, os tipos de casais aos quais você está se referindo, podem estar presentes nos dados, apesar de eu não ter perguntado aos entrevistados a respeito das circunstâncias de seus próprios nascimentos. A partir de outras perguntas – como se suas mães e pais biológicos já foram casados alguma vez -- eu posso arriscar um palpite sobre suas origens. A maior parte de tais entrevistados eram produtos de uma união heterossexual que eventualmente se desintegrou. Alguns entrevistados sugerem que tais uniões se tratavam de “casamentos de orientação mista”, mas eu não presumiria algo assim com tanta pressa. Embora a etiologia da homossexualidade não esteja em jogo aqui, perguntas sobre as categorizações feitas por mim parecem levantar a questão a respeito de que pessoas podem ser consideradas gays, sem falar de bissexualidade. O estudo, no entanto, diz respeito ao que seu próprio título afirma: os filhos adultos de pais que tem ou tiveram relações homossexuais. Em retrospecto, gostaria de ter me assegurado melhor da compreensão de meus leitores a respeito disso.
O que você diria a grupos religiosos e políticos que promovem o casamento tradicional e desejam usar os resultados do NFSS para “provar” que a paternidade por casais do mesmo sexo é prejudicial às crianças?
Não sou nem teólogo e nem político, então não me atreveria a dizer a ninguém como fazer seu trabalho. Apesar das ciências sociais não serem capazes de “provar” as coisas, elas podem descrever a realidade social. O que o NFSS descreve é que os jovens adultos, filhos de homens e mulheres homossexuais parecem ter sido mais propensos a problemas durante o crescimento, e, em alguns casos ainda hoje, do que aqueles cujos pais biológicos continuam casados. Oporquê disso é uma questão importante, que deve continuar sendo explorada e discutida.
Que tipos de problemas esses jovens adultos de pais homossexuais enfrentam exatamente? Emocionais, financeiros, espirituais?
Eles relatam uma série de desafios, principalmente no caso de terem vivido em ambientes familiares de muita instabilidade. Muitos tiveram a experiência de conviver com as idas e vindas dos parceiros de seus pais ou mães. Entre outras coisas, eles se mostraram mais aptos a enfrentar dificuldades financeiras, problemas para arranjar emprego e terminar os estudos, assim como mais problemas com a lei. Também relataram um número mais elevado de parceiros sexuais e vitimização do que as crianças vindas de casamentos biologicamente intactos e estáveis. Questões de religião e espiritualidade não foram incluídas no estudo.
Quais são suas convicções pessoais a respeito das estruturas matrimoniais? Essas convicções tornam sua pesquisa tendenciosa, como as recentes críticas direcionadas a você sugerem?
Todo pesquisador tem opiniões próprias. É por esse motivo que bons projetos de pesquisa devem assegurar o anonimato dos participantes e não sugerir o que estes devem responder. Tal postura ajuda a permitir que as ciências sociais superem as tendências pessoais de cada pesquisador.
Você observa que todo pesquisador tem suas próprias convicções. De que maneira tais convicções contribuíram para informar a auditoria interna de sua pesquisa, que está sendo conduzida atualmente pelo Social Science Research, especificamente pelo sociólogo Darren Sherkat? Sherkat, que apóia o casamento gay, não criticou sua pesquisa publicamente antes do início da auditoria?
Sim. Não vou revidar, mas é verdade. E ainda assim, a auditoria concluiu que o processo de publicação do estudo não foi comprometido. Estudiosos se criticam mutuamente o tempo todo, mas dessa vez parece ser algo pessoal.
Seu estudo tem algo a contribuir para a atual discussão sobre a legalização e aceitação cultural do casamento homossexual?
O objetivo do estudo em si não foi nem de minar e nem de afirmar qualquer tipo de direito legal sobre o casamento homossexual. Dito isso, o NFSS e outros estudos sólidos são uma boa fonte de orientação para os cidadãos, independente de suas perspectivas pessoais.
Refletindo agora, você acha que, como pesquisador, foi responsável de sua parte receber fundos para o NFSS do Instituto Witherspoon e da Organização Nacional para o Casamento (NOM) – dois grupos conhecidos por suas fortes convicções a respeito do casamento tradicional?
Nenhum financiamento veio da Organização Nacional para o Casamento (NOM), e sim do Instituto Witherspoon e da Fundação Bradley. (Nota do editor: os críticos de Regnerus estão ligando Witherspoon e Bradley a NOM porque Robert P.George, presidente emérito da NOM, tem fortes ligações com as duas instituições que ajudaram no financiamento do estudo de Regnerus). Como já observei no texto presente no estudo e em outras fontes, sempre trabalhei de forma independente de ambas as organizações. Nenhum representante de financiamento das agências foi consultado a respeito do projeto de pesquisa e do conteúdo da mesma, das análises ou das conclusões. Quaisquer alegações de que os financiadores tenham influenciado indevidamente são falsas.
Como você compreende sua vocação como sociólogo? O que a sociologia oferece para a sociedade como um todo que outras profissões não ofereçam?
Entre outras coisas, a boa sociologia investiga a cultura, como as estruturas funcionam, como determinadas formas de pensar e agir se tornam “normais”, como as instituições moldam nossas vidas e como se dá a mudança social. Isso pode parecer abstrato e maçante, mas é um modo fascinante e muito importante de ver e pensar o mundo e as nossas vidas. Aqueles que se aplicam a encarar esse tipo de questões muitas vezes se dão conta do quão interessante e importante a análise sociológica pode ser. E, nesse processo, eles muitas vezes vêm a entender de modo bem mais completo suas próprias experiências de vida.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

oito (8) ou oitenta (80)

VI NA RECORD ONTEM UMA PROPAGANDA EM FAVOR DO GOVERNO VENEZUELANO. (?) ORA BOLAS, POR QUE A RECORD ENALTECENDO HUGO CHAVES? ENTÃO LEMBREI DA BASE ALIADA DO GOVERNO. CAPITCHE?

NUNCA ANTES NA "HISTORIA DAS REDES SOCIAIS" SE MOSTROU A VIDA ALHEIA E PRIVADA. SEM FALAR NO MUNDO DE FAZ DE CONTA, UTÓPICO E QUE CULMINA, NA VERDADE EM ENGODO, UMA VEZ QUE QUASE NADA DO QUE SE POSTA SE VIVE.

MUDA-SE A ESTRUTURA PARA QUE O INDIVIDUO MUDE OU MUDA-SE O INDIVIDUO, PARA QUE O SISTEMA E A SOCIEDADE SE TRANSFORMEM?

O DESEJO DO OUTRO É MUITAS, MAS MUITAS VEZES O NOSSO, SE TODOS DESEJAM DEMOCRACIA, LOGO, ME PEGO DESEJANDO-A TAMBÉM. OU O NOSSO DESEJO É SEMPRE O DO OUTRO.

AVENIDA BRASIL, MAIS UM LIXO DE NOVELA QUE IMPLICA EM MUITOS A FORMA DE SER DE SEUS PERSONAGENS. É FATO, TEM GENTE SE COMPORTANDO COMO A CARMINHA... E ACHA QUE É CHIQUE.

AMOR DE MAE E AMOR DE DEUS. FORA DISSO É INTERESSE!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

“Valdomiro lidera com folga corrida eleitoral”.Baseado em que?

Chama a atenção a pesquisa publicada pelo Diário da Região, do instituto UP, no dia 05.08.2012 sobre as intenções de voto aos candidatos a prefeito da cidade.
A publicação pelo jornal Diário da Região, no dia 05.08.2012, de uma pesquisa de intenção de votos com 5 pontos de margem de erro é um destes momentos da imprensa que poderia ter sido explorado de outra maneira. O fato de a pesquisa ter sido elaborada com uma margem de erro de 5 pontos é uma informação fundamental que deveria ter aparecido na publicação referida com muito destaque.
O padrão de variação costumeiramente utilizado por Institutos de pesquisa, inclusive aqueles ligados a jornais, é de 2 pontos percentuais que é o mais próximo a que se pode chegar confiavelmente da realidade no momento da pesquisa. A pesquisa feita pelo instituto UP, responsável pela pesquisa em questão e publicada pelo referido jornal, não poderia ter vindo a público sem um aviso do jornal a respeito da imensa margem de erro. Margem essa tão larga que a pesquisa mais desinforma do que informa.
A informação que diz que o Valdomiro pode ter 37% de votos, mas também pode ter 32 ou 42% não está dizendo nada. Mesmo assim foi publicada em manchete no principal dia do jornal, domingo, e sem nenhum esclarecimento. Creio seja papel da imprensa refletir sobre tais dados e informar seu leitor a respeito do fato de que o dado que ele lê no jornal está manipulado pelos critérios definidos por quem fez a pesquisa. Dizer em algum lugar que a pesquisa tem 5% de margem de erro e não dizer ao leitor o que isso significa, é informar pela metade.
“Valdomiro lidera com folga corrida eleitoral” é uma ilação do jornal. Tendo em vista que a margem de erro pode dizer exatamente o contrário disso. Valdomiro pode ter 32% das intenções de voto e Rillo ter 25%; ora isso não é folga. Maurício Bellodi pode ter 6,2% e Manuel Antunes 7,9%. Ou seja, outra realidade. Ou a realidade que ficou escondida?
Sendo assim, a pesquisa publicada tal como foi prestou-se mais a manipulação dos números por quem quer que seja do que informou o leitor do jornal, o maior interessado que isso tivesse sido feito de maneira mais isenta. Luciano Alvarenga

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O limite a que chegou a Educação



A Educação não é uma prioridade em São Paulo em nenhum nível. A ideia é levar as escolas a todos sem que isso signifique o desenvolvimento de um projeto que tenha na educação seu centro. As escolas plantadas nas cidades parecem museus a céu aberto. Cada parede mal pintada, cada quadra poliesportiva semiabandonada, cada palco mal feito revelam os inúmeros projetos falidos desenvolvidos pelos inúmeros governos Estaduais e, nesses últimos anos, a falta completa deles.
A moda agora são os índices de aprendizagem e, colados neles, os bônus pagos às escolas e professores que atingirem as metas. O famoso e ao mesmo tempo muito controverso Saresp é um deles. A ideia é que por uma mágica cada professor consiga por meio do “estímulo” Saresp, fazer aquilo que até então não havia conseguido fazer com seus alunos. Na realidade nada mudou nas escolas, nada mudou nos métodos, nada mudou no formato, nada mudou em lugar algum, pelo menos significativamente e de maneira que se possa realmente esperar que algo diferente aconteça.
O que se observa ao visitar escolas, professores, diretores e alunos (e já visitei dezenas de escolas e centenas de alunos) é a mais completa evidencia de que toda essa firula de Saresp, bônus, aprovação automática e tantos outros malabarismos é apenas isso, circo. A ideia é criar movimentos novos, mais rápidos, e esteticamente bonitos, mas que ao fim e ao cabo não chegam a lugar algum. A escola paulista é uma mentira. A abertura cada vez maior e por um numero maior ainda de cidades, das Fundações Casa, é a contraprova de que a Educação não é o foco.
 Aliás, há de se perguntar se a escola mesma não é apenas uma ante sala da Fundação Casa. A discussão agora em andamento, e já defendida por grandes veículos de comunicação, em estender o tempo máximo de permanência dos menores internos de três anos para dez, aponta com clareza que o principio norteador da política estadual com relação à juventude é o do encarceramento forçado. Forçados a estar numa escola sem perspectivas por anos a fio acabam muitas vezes, por forças das circunstâncias, a passarem outros tantos anos na F. Casa.
A situação é tão surreal nas escolas que muitos professores já admitem abertamente aos seus alunos que tudo não passa de mentira, e precisam admiti-lo ao custo de parecerem esquizofrênicos se não o fizerem. A educação em São Paulo não existe. Escola é perda de tempo e o numero inflacionado de desistência escolar é uma prova contundente dessa falência. A evasão só não é maior por que a Escola fornece almoço e janta todos os dias, além de aprovação garantida. O que estamos vendo é o problema se desdobrando sobre si mesmo criando uma situação absurda. Alunos mal formados, mal preparados entrando no ensino universitário particular ou público, mais naquele do que neste, fazendo cursos universitários vazios, sem direção, sem cobrança, sem resultado onde o fim de tudo são profissionais que não conseguem dar conta de se estabelecer no mercado em função de sua formação. Empresas que cada vez mais criam seus próprios cursos universitários para formar seus próprios empregados é um dado dessa realidade.
Uma educação tecnicista voltada para o aprendizado de um conteúdo inútil que nada serve para criar autonomia e preparo para a vida, isso é a base e o suporte do ensino paulista. Por fim, perto de sediar o mais importante encontro de esportes do planeta, as Olimpíadas no Brasil são tratadas como se isso nada tivesse haver com Escola e Estudantes.

Luciano Alvarenga, Sociólogo e Mestre em Economia pela Unesp

rejeição e opção de votos para prefeito de Limeira



segue pesquisa para intenção de votos para escolha do próximo prefeito de Limeira. Acima, gráfico de rejeição e intenção de votos! fonte: Gazeta de Limeira

domingo, 5 de agosto de 2012

O Brasil que prende “pobre, preto e puta” tomará vergonha na cara para prender “político, petista e poderoso”? Com a palavra, os 11 ministros do STF. Eles decidirão que país teremos. Ou: O “domínio dos fatos”


Não tenho especial prazer em ser chulo — aliás, prazer nenhum, muito pelo contrário! —, mas também não temo as palavras. Ao Supremo Tribunal Federal caberá, sim, dizer se cadeia, no Brasil, continua a ser um “privilégio” que só atende aos três “pês”: pobre, preto e puta. Eu convido os ministros do Supremo, então, a democratizar a língua do “pê” e a dizer se “político” e “petista” também podem gozar desse benefício, o que significará acrescentar um outro “pê”, este sim fundamental: “poderoso”. Então ficamos assim: os ministros do Supremo dirão se o país que prende, com especial desenvoltura, “pobre, preto e puta” também tem a coragem de prender “político, petista e poderoso”. Tem ou não? É o que veremos.
Não, senhores! Eu não tenho, como sabem, a menor disposição para a vendeta de classes. Quem inventou a era de “Os ricos também choram” foi a Polícia Federal de Márcio Thomaz Bastos! E quem é Bastos? Hoje, o advogado-estrela do mensalão, apelidado de “Deus” — deve-se pronunciar o Nome D’Ele em inglês: “God”. Ainda me lembro da estrepitosa prisão de Eliana Tranchesi em 2005, por exemplo; em 2009, de novo. Nesse caso, mobilizaram-se 40 agentes da Polícia Federal para pegar a mulher em casa, de camisola. Imaginavam o quê? Que fosse reagir de arma na mão? Aí o ministro da Justiça já era outro: Tarso Genro — aquele que deu um jeito de manter no Brasil o assassino Cesare Battisti. Tranchesi, que morreu de câncer em fevereiro deste ano, foi condenada a 94 anos de prisão pela Justiça Federal! É claro que a sua prisão, nas duas vezes, foi um espetáculo midiático, o que não quer dizer, necessariamente, que não fosse merecida. Ocorre que a ideia, então, era menos fazer justiça segundo os autos e mais fazer justiça de classe. Uma empresária foi usada como a Geni do Brasil, enquanto, como é mesmo?, “a nossa pátria mãe dormia tão distraída, sem saber que era subtraída em tenebrosas transações”.
As operações espetaculosas da Polícia Federal — que têm a marca Márcio Thomaz Bastos, reitero — eram engendradas enquanto larápios se ocupavam de tomar grana do Branco do Brasil, por exemplo, para financiar operações políticas que eram do interesse do Palácio do Planalto e do petismo. Atenção! R$ 70 milhões do BB foram parar nas agências de Marcos Valério. Ao verificar os serviços prestados, encontrou-me menos de 1% do prometido. Era tudo mentira. Tranchesi sonegou impostos, deixou de arrecadar dinheiro para os cofres públicos. Tinha de ser punida, sim! — não humilhada, que isso é coisa de estado totalitário. Já o Banco do Brasil foi roubado, surrupiado. Esses são os nomes. Mas, claro!, a exemplo dos presos do filme “Carandiru”, todos são “inocentes”.
Por que escrevo esses parágrafos? Muitos ficaram chocados  — “Oh, que exagero!” — com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, quando ele pediu, clara e abertamente, a prisão dos protagonistas do mensalão. É mesmo, é? Por quê? Então estamos tão narcotizados por essa quadrilha que não podemos nem cogitar a hipótese de que gente que rouba um banco público para financiar larápios mereça mesmo é cana? Por quê? Um sonegador deixa de arrecadar — e merece ser punido, sim! Mas um ladrão subtrai. Um deixa de acrescentar o que deve; o outro tira o que não lhe pertence.
Disse Roberto Gurgel:
“Confiante no juízo condenatório dessa Corte Suprema e tendo em vista a inadmissibilidade de qualquer recurso com efeito modificativo da decisão plenária, que deve ter pronta e máxima efetividade, a Procuradoria-Geral da República requer, desde já, a expedição dos mandados de prisão cabíveis imediatamente após a conclusão do julgamento (…). Espera-se a condenação de 36 dos réus e a expedição dos mandados de prisão cabíveis. Em princípio, é algo que se aplica a todos”.
Que o leitor entenda tudo direitinho. Não estou dizendo que Eliana Tranchesi não deveria ter arcado com as consequências de seus atos, não! Deveria, sim! Em 2005, ainda no site “Primeira Leitura”, escrevi um longo texto a respeito (ver post nesta página). Eu só estou apontando agora, em 2012, sete anos depois, a grande ironia: ninguém menos do que Márcio Thomaz Bastos (aquele diante do qual se ajoelha, retoricamente ao menos, o ministro Ricardo Lewandowski), então chefe da PF que prendeu Tranchesi naquela megaoperação, é advogado de um dos acusados do mensalão e o grande esteio da defesa dos réus. Os crimes, sem sombra de dúvida, existiram. Os advogados tentarão, a partir de segunda-feira, demonstrar que nunca houve criminosos!
Cadeia, sim! Parabéns a Roberto Gurgel, procurador-geral da República, por ter tido a coragem de chamar as coisas pelo nome que elas têm.
ChateadosAdvogados que defendem os réus, alguns deles com muita penetração no que o petismo chama “mídia”, encarregaram-se de espalhar a falácia de que a denúncia de Gurgel é fraca e não traz evidências. Não é verdade! Ao contrário. Seu relatório foi muito mais consistente do que se imaginava. Os crimes estão perfeitamente caracterizados — são, na verdade, inegáveis —, e ele evidenciou, com clareza meridiana, as ocorrências segundo o que se chama em direito o “domínio dos fatos”.
Em alguns casos, a prova grita. Fim de papo! O sujeito foi lá e sacou a grana do esquema no banco. “Ah, mas era para pagar dívida de campanha…” Tanto pior se fosse! Mas poderia ser para comprar leite para os gatinhos “em situação de vulnerabilidade”, como diriam os esquerdopatas amorosos hoje em dia. Em outros casos, a prova é menos escandalosa porque deriva da ação mais sorrateira.
A defesa ficou, na verdade, chateada. Muitos por ali estavam acostumados a engravidar jornalistas pelo ouvido — “Ó, não há provas, tá?” —, que saíam por aí a reproduzir a inverdade. Ainda persiste, por exemplo, a falácia de que prova mesmo, de verdade, só com ato de ofício — um documento assinado. Não é o que está no Código Penal nem na lógica, já que o profissional da roubalheira, por óbvio, não assina papel.
Não caiam nessa conversa! A verdade é que a acusação do procurador surpreendeu os próprios advogados de defesa pela contundência. Do emaranhado gigantesco de acontecimentos, Gurgel conseguiu chegar a uma narrativa coerente, recheada de provas, a demonstrar que aquilo a que se chamou “mensalão” foi o mais ousado esquema de corrupção montado no seio do estado brasileiro.
Não por acaso, ele abriu o seu texto citando “Os Donos do Poder”, de Raymundo Faoro. O mensalão é nada menos que um aggiornamento do conhecido patrimonialismo, agora temperado por seu oposto combinado: o gangsterismo que se formou para supostamente lhe dar combate. O filme-símbolo do período que vivemos é “On the Waterfront” — ou “Sindicato de Ladrões”, como ficou conhecido no Brasil. Quem não viu deve fazê-lo hoje mesmo. Está em todas as locadoras e deve ser achável na Internet.
Os 11 do Supremo vão dizer se roubar o Banco do Brasil é normal.
Os 11 do Supremo vão dizer se roubar dinheiro público é normal.
Os 11 do Supremo vão dizer se conceder benefícios a um banco privado em troca de grana é normal.
Os 11 do Supremo vão dizer se comprar parlamentares e partidos com dinheiro sujo é normal.
Os 11 do Supremo vão dizer se agências de publicidade pagando parlamentares em nome de um partido é normal.
Os 11 do Supremo vão dizer se pagar em 2003 uma campanha eleitoral feita em 2002, em moeda estrangeira, no exterior, ao arrepio de qualquer controle, é normal.
Os 11 do Supremo vão dizer, em suma, se a safadeza deve ser tomada como a medida da normalidade brasileira.
Para tanto, eles têm inteira clareza do domínio dos fatos. Uma coisa é certa: nenhum deles será esquecido. O poder petista, à diferença dos diamantes, não é eterno. Mas a memória histórica é, sim! Enquanto houver Brasil, haverá os 11 ministros que julgaram os réus do que se chamou “mensalão”. 
Por Reinaldo Azevedo