domingo, 24 de fevereiro de 2013

Não é que eles amem tanto o comunismo… Eles amam mesmo é a ditadura!

Não é que eles amem tanto o comunismo… Eles amam mesmo é a ditadura!
Por que Yoani Sánchez, mulher de aparência frágil, fala doce e textos nada inflamados, provoca a fúria de alguns dinossauros da ideologia mundo afora, inclusive no Brasil? A resposta não é simples.  Ainda que as esquerdas contemporâneas tenham mudado a sua pauta, e já não se encontrem mais comunistas de verdade nem em Pequim (restaram alguns apenas nas universidades brasileiras), é certo que elas conservam o gene totalitário e o ódio à democracia e à pluralidade. Herdaram do passado uma concepção de sociedade que as coloca como a vanguarda da história.
Essa vanguarda seria a caudatária legítima de todas as lutas em favor do progresso, da igualdade e da justiça e, por isso, estaria habilitada a conduzir a humanidade para o futuro. Elas se consideram dotadas desse exclusivismo moral — e, em nome dele, tudo lhes seria permitido. Os que não aderem à sua pauta, pouco importa o conteúdo, seriam forças da reação, agentes do atraso, sabotadores do progresso. A história é rica em exemplos. A depender das necessidades, o comunismo internacional ora se alinhou com o nazi-fascismo “contra o imperialismo”, ora com o imperialismo “contra o nazi-fascismo”. Seus comandados defenderam com igual entusiasmo uma coisa e outra e, em ambas, vislumbraram o caminho para a redenção do homem. Afinal, os donos da história sempre sabem o que é melhor para a humanidade.
Esses grandes embates ficaram no passado. Desmoronou também a ambição de se criar um modelo econômico alternativo ao capitalismo. Setenta anos de história bastaram para evidenciar a impossibilidade, restando, a exemplo de Cuba, algumas experiências que vivem de esmagar as liberdades individuais e que se impõem pela violência. O capitalismo fatalmente chegará à ilha hoje tiranizada pelos irmãos Raúll e Fidel Castro não porque a história tenha acabado, e esse modelo de sociedade vencido. O capitalismo chegará justamente porque a história não acabou, e o estado comunista fracassou no seu intento de refundar o homem, a economia, a ciência, a natureza e até a metafísica. Não custa lembrar que as esquerdas é que eram partidárias do “fim da história”, não os liberais.
O comunismo fracassou. Curiosamente, aquele “império” ruiu mais com suspiros do que com estrondo, tais eram as suas fragilidades. Não foi o pouco de abertura econômica  proporcionada pela era Gorbachev que liquidou o modelo, mas o pouco de liberdade que ele resolveu inocular no sistema. O totalitarismo é uma doença anaeróbia do espírito. Não convive com o oxigênio da liberdade e do contraditório. Aquilo tudo foi abaixo. A existência de Cuba e da Coreia do Norte é a prova mais evidente de que o comunismo, como a humanidade o conheceu um dia, acabou. Mas as esquerdas sobreviveram com a sua mesma concepção de história.
A despeito de todos os desastres humanitários que já provocaram, continuam a reivindicar o monopólio do humanismo e da verdade e a vender a fantasia de que são as únicas forças moralmente habilitadas a nos conduzir para o futuro. Essa é a razão pela qual a noção de “crise” — entendida como um momento de transformação — é a que mais estimulou, ao longo do tempo, a imaginação dos historiadores e ensaístas de esquerda, a começar do pai original, Karl Marx. Eles julgam saber para onde conduzir a humanidade, ainda que esta, eventualmente, não queira…
Yoani provoca a fúria do governo cubano e dos esquerdistas que se manifestam sem restrições nas democracias (justamente porque o comunismo perdeu…) não porque defenda a economia de mercado — todo esquerdista sabe, hoje em dia, que não há alternativa; não porque esteja colocando em dúvida supostas “conquistas” da revolução — ela é até bastante cordata a respeito. Os furiosos protestam porque Yoani é a evidência de que o exercício da liberdade individual desconstrói a fantasia totalitária, pouco importa em que modelo econômico ela esteja ancorada. E isso vale também para o Brasil.
Vivemos, a despeito dos totalitários em voga, num regime de plenas liberdades democráticas. É uma conquista da população brasileira, não desta ou daquela forças políticas em particular. Não existe mais em nosso país um embate relevante entre os que defendem e os que atacam a economia de mercado. O mercado venceu porque é a escolha mais eficiente, mais racional e mais adequada às habilidades e às aspirações humanas. Mas permanece, sim, um confronto inconciliável entre os que acreditam nas liberdades individuais e os que entendem que estas devam se subordinar aos anseios daqueles que se apresentam ainda hoje como “a vanguarda”.
Aqueles patetas fantasiados de Che Guevara que hostilizaram Yoani, a absurda participação de um funcionário graduado do governo na conspirata armada pela embaixada cubana, as grosserias que contra ela desferiram parlamentares de esquerda, tudo isso é a evidência não de amor pelo comunismo, mas do ódio à liberdade. Com a sua simplicidade, com a sua verve mais tímida do que encantatória, com algumas formulações muitas vezes óbvias sobre o que é ser livre, Yoani não trouxe à luz apenas as violências do regime político cubano; ela conseguiu denunciar também as tentações totalitárias que ainda estão muito vivas no Brasil. Não é que essa gente que saiu urrando contra ela ainda acredite no comunismo. Mas é certo que essa gente ainda acredita na ditadura. Em Cuba ou aqui.
Por Reinaldo Azevedo

sábado, 16 de fevereiro de 2013



Coluna Rodriguiana: Ratzinger, Che Guevara. Não acho isso. Mas a 

surpresa é amiga da confusão.


No inicio dos anos 1970 o sonho tinha acabado com o fim dos Beatles. Cara o mundo tinha certeza de que tudo estava descambando definitivamente. Guerras, Ditaduras e Revoluções ainda rolavam mais não empolgavam mais. O clima estava era mesmo Black Sabbath. Mas para muitos tudo aquilo que estava rolando era mais do que inevitável. Era necessário para que todos tivessem um lugar ao sol. Brancos e Negros, Esquerda e Direita, Heteros e Homos. No neoliberalismo e na sociedade pós-moderna. Naquele momento ninguém era de ninguém. Tudo tendia ao extremo individualismo.
A década de 1960 simplesmente monopolizou a rebeldia. Demorou até que toda aquela sensação de que podemos mudar o mundo retornasse. Principalmente, porque a década de 1980 nos libertou aprisionando-nos. Explico: libertou-nos: apresentando para muitos a experiência da pratica democrática, antes mesmo de legalizada, por isso vivida com muito mais intensidade, e aprisionou-nos: entendendo a evolução tecnológica: na ficção e no cotidiano, como chave para um admirável mundo novo.
Onde as diferenças seriam superadas à medida que o tempo se tornaria muito mais dinâmico.  As ideologias com isso obviamente esquecidas. Tudo seria aceito, desde que as liberdades e os diretos fossem preservados. Em todos os níveis. A lei se transformou, portanto, no ponto nevrálgico da discussão. Putz, em um país de advogados então. Imagina na Copa. Quer dizer imagina a discussão. Que nada, muitos entendem que Lei não se discute. Cumpre-se.
Vivemos o império da lei. Do Estado racionalizado em todas as suas dimensões. Nos sobram, assim, poucos espaços, momentos para dizer um bom e velho foda-se sem sofrer com este Império. Porque ele nos sustenta. Só existe vida com segurança dentro dele. Divino é saber se equilibrar. Como o Ronaldinho: que pediu água no migué, recebeu em posição legal, cruzou e foi pro abraço com seu companheiro de equipe após o gol e falou para todos que o lance, genial, foi pura sorte. Somos Vigiados e tudo depõe contra nós.
É preciso ter serenidade na pós-modernidade. Quando assistimos as revoltas populares no mundo árabe. Muitos apressados. A mídia como sempre os apontou como libertadores. Mas hoje as ideologias são outras. Sim, as ideologias não morreram. Elas ainda existem, mas hoje são tendências, de caráter sinuoso. Difíceis de serem enquadradas na totalidade. Locais, hoje elas movem de ataques suicidas a um partido do crime.
De fato as ações pontuais são sempre as que mais vêem desequilibrando o mundo contemporâneo. Não por acaso podemos apontar a queda das torres gêmeas como o marco inicial deste contexto, em que socialmente, foram às revoluções tecnológicas pontuais, individuais, que roubaram a cena. O caráter furtivo da ação pontual, quando bem planejada de fato pode ter um caráter muito mais agregador de movimento do que o próprio processo do movimento para a ação. Pois as chances de sucesso na ação pontual são maiores. Envolve menos pessoas e a surpresa é sempre aliada da confusão.
É por isso que não poderia deixar de escrever sobre a renúncia de Bento XVI.  Apontá-la como uma ação pontual de rebeldia. Ratzinger revolucionário. Não acho isso. Mas é certamente uma situação que trouxe o elemento surpresa, para nós ovelhas e pra muitos pastores desta complexa engrenagem, industrial. Moldada a ferro e fogo que é a Igreja Católica Apostólica Romana. Bento XVI desestabilizou e desenterrou antigos desajustes deste Estado de Leis Próprias que é a Igreja Instituição Romana. Destas cinzas um novo antigo certamente surgirá.
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do meu brother: MILTON ANDREZA.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

COLUNA 8 ou 80!


COLUNA 8 OU 80!?

ninguém lê, mas ao menos desabafo...

Passarinho que outrora recebia Alpiste e cantava bonito,
agora ja nao canta mais.Cessou-se a comida boa
e agora o passarinho apenas lamenta a passagem do
cavalo celado...kkk mudei o final....

Pense comigo: Certa feita um nobre camponês
(os camponeses tambem são nobres, sao nobres
pela ação, nao pela classe social que estao inseridos certo??)
precisou ir a Roma, ele tinha tres carroças, duas
com problemas nas rodas, é obvio, claro, evidente,
que ele utilizaria a carroça melhor, com rodas boas....
é dificil entender isso?????

Se eu tenho um mercado, e vendo mercadorias (rsrs),
se eu der ou nao desconto o problema (margem de lucro
minha e nao sua mané) é todo meu, afinal,
as mercadorias e o mercado sao meus. entendeu?

a questão nao é um papa da América ou da africa,
a questão é que a pós-modernidade permite e prega a fluidez
social, um contraponto a solidez moderna. (dá-lhe Bauman)

Hoje é possível transitar da religião A para a Z tranquilamente.
o contexto impõe-se sobre a instituição...que encontra "afrouxamento"
nas bases desta.

E qual é o momento em que nasce o escândalo? O
momento em que nasce o escândalo é o momento em que se
torna público um ato ou uma serie de atos até então mantidos
em segredo ou ocultos. Bobbio, Norberto. O futuro da Democracia
2000.

Na semana passada, rendeu assunto a semana inteira: Silas Malafaia x Marilia Gabriela. O primeiro venceu de goleada...

De boazinha, a FRANÇA NÃO TEM NADA, a intervenção no Mali é puramente econômica, pra não dizer de um novo neocolonialismo do século XXI.

Ocorre que a Africa possui inúmeras riquezas minerais... para os Europeus, antes a Europa que a China...

VEM AI A MARCHA PARA JESUS 2013... AGUARDEM!!!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013


O ecossistema tóxico da política partidária

Luciano Alvarenga

Os partidos políticos passaram a se modelar desde a formação dos Estados nacionais no século XVI e ganharam sua coloração atual, especialmente, a partir da Revolução Francesa. Ninguém questiona, no mundo todo, o fato de que os partidos estão em grave crise de representatividade. O fim das ideologias tipo branco e preto, a mercantilização da vida em todas as dimensões, a transformação do cidadão em consumidor, os graves e profundos problemas para os quais parece não haver solução vêm tornando os indivíduos, e a população de forma geral, completamente desinteressados da política e, por extensão, dos partidos. Descolados da sociedade, sem nenhuma conexão com as mudanças já operadas e as que estão por vir, os partidos se transformaram numa máquina de representação apenas e, exclusivamente, de interesses econômicos corporativos, além de um meio de vida de uma escória que se vende continuamente nos parlamentos.

Partidos grandes, pequenos ou nanicos, são todos compostos da mesma matéria-prima: sua própria sobrevivência e a daqueles que vivem dependurados nos partidos. A lógica de sobrevivência partidária num contexto de descoloração ideológica tornou os políticos profissionais treinados na arte de iludir o público externo e ganhar a vida na selva da luta política. É tamanho e hercúleo o esforço de sobreviver na luta política que os partidos e seus membros não podem se dedicar a nada que não seja as razões de sua própria sobrevivência. Trabalhos, projetos, programas ou qualquer coisa que diga respeito à população e seus interesses devem ser atendidos apenas no limite extremo da necessidade sem que com isso se comprometa a meta maior que é manutenção da vitalidade partidária. A sociedade é uma externalidade (termo técnico da economia que designa o efeito colateral produzido por alguma coisa e sobre o qual nada pode ser feito) da política, convive-se com ela por ser impossível retirá-la da equação. Melhor seria para o mundo da política que ela não existisse.

Toda a lógica partidária visa a manutenção de seus membros, e qualquer outro partido ou indivíduo de dentro do sistema ou de fora que traga alguma ameaça ao seu funcionamento deve ser combatido e extirpado. Nesse sentido, o próprio sucesso dentro do mundo da política representa aceitar a regra número um: a sobrevivência e o crescimento do partido. Como o sucesso na política institucional implica o acesso a enormes somas de recursos financeiros, dado o caráter publicitário das eleições, tem-se que já no período pré-eleitoral os candidatos são forçados a abrir mão de qualquer projeto que signifique compromisso com a população. O compromisso não é com a população é com o partido, sendo assim e apenas assim, para receber os recursos necessários à própria eleição.

A prerrogativa incontornável de recursos financeiros numa eleição joga os candidatos uns contra os outros já no próprio partido. Sobreviver em um partido é o mesmo que lutar pela existência dentro de um rio de piranhas; não importa de quem seja o sangue, desde que seja sangue. Sobreviver significa não apenas manter-se, mas impedir que os outros sobrevivam ou que, pelo menos, sobrevivam apenas e tão somente em um limiar que não signifique ameaça aos que estão mais bem posicionados dentro desse partido. É justamente essa lei de ferro dos partidos que rapidamente impõe a seus membros abrir mão de qualquer princípio ético e moral. Quem se guia por regras ou princípios de qualquer tipo pode não sobreviver politicamente, tendo em vista o fato de que os outros, a esmagadora maioria, não têm pudores em usar os mais sórdidos expedientes, contra quem quer que seja, por mais espaço e força que tenha dentro do partido e do sistema partidário.

Encontrar políticos fazendo coisas abertamente contrárias ao que afirmavam num momento anterior, ou mesmo abraçando e se conjugando com inimigos mortais é a prova mais visível ao público externo das exigências imperativas do jogo político.  A ideia ventilada por alguns funcionários do sistema partidário - pessoas muito longe do sucesso político, ainda que próximas o bastante da população para dizer tais coisas - de que a única maneira de mudar o jogo sujo da política é entrando nele é, na verdade, uma maneira cínica de rebaixar o cidadão e retirar de si mesmos sua profunda responsabilidade pelo estado tóxico do ecossistema político.

A fama verídica de sordidez e falta de limites éticos e morais da classe política é o resultado inevitável de um jogo onde qualquer coisa de baixíssimo nível é legítima e plenamente aceita, e não há fronteira, costume ou lei que impeça esses funcionários da política a serviço de si mesmos de fazerem o que fazem. A política há muito tempo deixou de ser um farol que permitia antever o futuro, transformando-se hoje no submundo onde proliferam e se multiplicam com potencial cada vez maior o que há de pior na sociedade. Com tal cenário dominando a realidade, cabe a pergunta: que tipo de democracia realmente temos?

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

SOBRE POLITICA E JARDINAGEM - RUBEM ALVES

quem ja leu sobre politica e jardinagem, do Rubem Alves?
é meio longo, mas vale a pena...

De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim vocare, quer dizer chamado. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um ‘fazer’. No lugar desse ‘fazer’ o vocacionado quer ‘fazer amor’ com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada.

‘Política’ vem de “polis”, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade. O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade.

Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades: sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com oásis. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu ‘o que é política?’, ele nos responderia, ‘a arte da jardinagem aplicada às coisas públicas’.

O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se à sua volta está o deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.

Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade. A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastar-lhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.

Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.

Todas as vocações podem ser transformadas em profissões O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumente o deserto e o sofrimento.

Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a profissão política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, perguntado por Günter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: ‘Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade... Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem.’ Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.

Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. O triste é que muitos que sentem o chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da vergonha de serem confundidos com gigolôs e de terem de conviver com gigolôs.

Escrevo para vocês, jovens, para seduzi-los à vocação política. Talvez haja jardineiros adormecidos dentro de vocês. A escuta da vocação é difícil, porque ela é perturbada pela gritaria das escolhas esperadas, normais, medicina, engenharia, computação, direito, ciência. Todas elas, legítimas, se forem vocação. Mas todas elas afunilantes: vão colocá-los num pequeno canto do jardim, muito distante do lugar onde o destino do jardim é decidido. Não seria muito mais fascinante participar dos destinos do jardim?

Acabamos de celebrar os 500 anos do descobrimento do Brasil. Os descobridores, ao chegar, não encontraram um jardim. Encontraram uma selva. Selva não é jardim. Selvas são cruéis e insensíveis, indiferentes ao sofrimento e à morte. Uma selva é uma parte da natureza ainda não tocada pela mão do homem. Aquela selva poderia ter sido transformada num jardim. Não foi. Os que sobre ela agiram não eram jardineiros. Eram lenhadores e madeireiros. E foi assim que a selva, que poderia ter se tornado jardim para a felicidade de todos, foi sendo transformada em desertos salpicados de luxuriantes jardins privados onde uns poucos encontram vida e prazer.

Há descobrimentos de origens. Mais belos são os descobrimentos de destinos. Talvez, então, se os políticos por vocação se apossarem do jardim, poderemos começar a traçar um novo destino. Então, ao invés de desertos e jardins privados, teremos um grande jardim para todos, obra de homens que tiveram o amor e a paciência de plantar árvores à cuja sombra nunca se assentariam.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O PAPEL ACEITA TUDO

outro dia, um bom tempo ja, meu pai lia o jornal e
 comentava: "papel aceita tudo mesmo..." eu, ainda no 
fundamental (rsrsrs) não entendia o que ele estava querendo dizer... hoje, com o fundamental concluído, (rsrs) ja consigo entender, olha que benção!!! Ele dizia, e ainda diz que o papel aceita o escrutínio, o papel é inocente, ele aceita o perverso escritor, quando mesmo sem saber da veracidade dos fatos, vai logo despejando sobre o inocente papel toda sorte de incoerência, dúvida, levando os leitores a acreditarem no que leem. Sabe-se lá o que, o qual, ou quem influencia o escritor, mas o fato é que a pataquada esta lá, impressa. Porem, a verdade, tem uma irmã gêmea chamada luz, onde chega a luz e a verdade, dissipam-se a mentira e a escuridão, outras duas irmãs. Essas irmãs jamais terão comunhão, pois possuem essências opostas. As gêmeas primeiras (luz e verdade) são divinas. As outras gêmeas (mentira e escuridão) são diabólicas. Por isso, quando ler qualquer coisa, duvide, critique, verifique a veracidade dos fatos, veja quem escreve, quem influencia o escritor, o perfil do escritor, o caráter do escritor. Então, só depois deste exercício interpretativo se posicione. boa noite a todos!

domingo, 25 de novembro de 2012

O “complexo Deus” da modernidade

O “complexo Deus” da modernidade

11/07/2011
A crise atual não é apenas de escassez crescente de recursos e de serviços naturais. É fundamentalmente a crise de um tipo de civilização que colocou o ser humano como “senhor e dono” da natureza (Descartes). Esta, para ele, é sem espírito e sem propósito e por isso pode fazer com ela o que quiser.
Segundo o fundador do paradigma moderno da tecnociência, Francis Bacon, cabe ao ser humano torturá-la, como o fazem os esbirros da Inquisição, até que ela entregue todos os seus segredos. Desta atitude se derivou uma relação de agressão e de verdadeira guerra contra a natureza selvagem que devia ser dominada e “civilizada”. Surgiu também a projeção arrogante do ser humano como o “Deus” que tudo domina e organiza.
Devemos reconhecer que o Cristianismo ajudou a legitimar e a reforçar esta compreensão. O Gênesis diz claramente:”enchei a Terra e sujeitai-a e dominai sobre tudo o que vive e se move sobre ela”(1,28). Depois se afirma que o ser humano foi feito “à imagem e semelhança de Deus”(Gn 1,26). O sentido bíblico desta expressão é: o ser humano é lugar-tenente de Deus e como Este é o senhor do universo, o ser humano é senhor da Terra. Ele goza de uma dignidade que é só dele, o de estar acima dos demas seres. Dai se gerou o antropocentrismo, uma das causas da crise ecológica. Por fim, o estrito monoteismo retirou o caráter sagrado de todas as coisas e o concentrou só em Deus. O mundo, não possuindo nada de sagrado, não precisa ser respeitado. Podemos moldá-lo ao nosso bel-prazer. A moderna civilização da tecnociência encheu todos os espaços com seus aparatos e pôde penetrar no coração da matéria, da vida e do universo. Tudo vinha envolto pela aura do “progresso”, uma espécie de resgate do paraiso das delícias, outrora perdido, mas agora reconstruido e oferecido a todos.
Esta visão gloriosa começou a ruir no século XX com as duas guerras mundiais e outras coloniais que vitimaram duzentos milhões de pessoas. Quando se perpetrou o maior ato terrorista da história, as bombas atômicas lançadas sobre o Japão pelo exército norteamericano, que matou milhares de pessoas e devastou a natureza, a humanidade levou um susto do qual não se refez até hoje. Com as armas atômicas, biológicas e químicas construidas depois, nos demos conta de que não precisamos de Deus para concretizar o Apocalipse.
Não somos Deus e querer ser “Deus” nos leva à loucura. A idéia do homem como “Deus” se transformou num pesadelo. Mas ele se esconde ainda atrás do “tina” (there is no alternative) neoliberal:”não há alternativa, este mundo é definitivo.” Ridículo. Demo-nos conta de que “o saber como poder”(Bacon) quando feito sem consciência e sem limites éticos, pode nos autodestruir. Que poder temos sobre a natureza? Quem domina um tsunami? Quem controla o vulcão chileno Puyehe? Quem freia a fúria das enchentes nas cidades serranas do Rio? Quem impede o efeito letal das partículas atômicas do urânio, do césio e de outras liberadas, pelas catástrofes de Chernobyl e de Fukushima? Como disse Heidegger em sua última entrevista ao Der Spiegel: ”só um Deus nos poderá salvar”.
Temos que nos aceitar como simples criaturas junto com todas as demais da comunidade de vida. Temos a mesma origem comum: o pó da Terra. Não somos a coroa da criação, mas um elo da correnta da vida, com uma diferença, a de sermos conscientes e com a missão de “guardar e de cuidar do jardim do Eden”(Gn 2,15), quer dizer, de manter a condições de sustentalidade de todos os ecossistemas que compõem a Terra.
Se partimos da Bíblia para legitimar a dominação da Terra, temos que voltar a ela para aprender a respeitá-la e a cuidá-la. A Terra gerou a todos. Deus ordenou: “Que a Terra produza seres vivos, segundo sua espécie”(Gn 1,24). Ela, portanto, não é inerte, é geradora e é mãe. A aliança de Deus não é apenas com os seres humanos. Depois do tsunami do dilúvio, Deus refez a aliança “com a nossa descendência e com todos os seres vivos”(Gn 9,10). Sem eles, somos uma família desfalcada.
A história mostra que a arrogância de “ser Deus”, sem nunca poder sê-lo, só nos traz desgraças. Baste-nos ser simples criaturas com a missão de cuidar e respeitar a Mãe Terra.

http://leonardoboff.wordpress.com/2011/07/11/o-complexo-deus-da-modernidade/