sábado, 18 de junho de 2011

CORDA BAMBA

Corda Bamba - Artigo J. O Globo 18/06/2011

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Em vários locais, a juventude está indo às praças; no mundo árabe, lutando pela democracia, acampados nas praças, como a Tahrir, no Egito; nos países europeus, por emprego, como na Praça Catalunha, em Barcelona, e no Portal Del Sol, em Madri. Tanto no mundo democrático da Europa, quanto no Egito sem democracia, a juventude está carente de mudanças, descontente com os rumos da sociedade em que vive. Seja por falta de democracia, de emprego, de paz, de lazer ou de cultura.
No Brasil isso não está acontecendo. Aparentemente, nossos jovens estão contentes, mas, na verdade, eles não percebem a corda bamba por onde caminham ao longo da vida.
A infância, a adolescência e a juventude brasileira caminham sobre uma corda bamba, da qual milhões vão caindo antes mesmo de chegar à idade adulta.
Logo no início da vida, crianças caem da corda bamba por falta de uma UTI infantil ou porque as mães são desprezadas pelos pais e terminam abandonando o recém-nascido. Milhões de crianças, que sobrevivem às primeiras horas de vida, continuam na corda bamba por falta de comida, de brinquedos, de estímulos educacionais, sem escolas maternais e sem o acompanhamento de mães preparadas ou de creches com qualidade. Caem da corda antes mesmo de começarem a caminhar.
Das que sobrevivem aos primeiros anos, milhões nem ao menos conseguem chegar à escola. Depois de caminhar alguns anos na corda caem logo depois, por não conseguirem entrar na escola, ficarem sem o desenvolvimento intelectual necessário e seguirem na vida sem as ferramentas básicas necessárias à vida moderna, tais como, emprego, renda e acesso a serviços essenciais.
Mesmo as que entram na escola, continuam caminhando sobre a corda bamba. A pobreza das famílias e a má qualidade da escola expulsam a maioria delas antes mesmo do fim do ensino médio. São derrubadas da corda, jogadas no chão, sem alternativas. Das que concluem o ensino médio, mais da metade não teve um ensino de qualidade e, por isso, não entrará no ensino superior, nem em um curso profissionalizante competente, ou entrará, mas abandonará o curso por incapacidade de segui-lo até o fim. Pode até obter um diploma, porém sem conhecimento superior e ficará sem emprego de nível e renda superiores.
Ao longo de todo esse tempo, e mesmo depois, essas crianças, adolescentes e jovens estarão em uma corda bamba que ameaça derrubá-las pela morte violenta antes do tempo, pela droga que age como o motor do balanço da corda por onde caminham os jovens.
Um amigo, uma decepção, uma cobrança, o simples trago em um cigarro errado ou num copo de bebida pode empurrar o jovem para a queda com uma pequena chance de recuperação.
Mesmo os que não caem por força do empurrão das drogas, caem pela ociosidade, sem escola e sem emprego.
Mas não é apenas a escola sem qualidade e a falta de renda da família que derrubam crianças. Os adolescentes e jovens de renda média e alta também caminham por uma corda bamba, pela falta de atividades e por causa de uma escola aparentemente boa, em comparação com as péssimas. Ou porque também correm o risco do consumo de drogas ou da droga do consumismo. Move a corda também a alienação da voracidade do superconsumo para aqueles que aparentemente chegaram ao outro lado, mas vivem sacrificando a vida para o enriquecimento sem valor existencial.
E quase sempre se endividando, seja pela dívida consigo mesmo, por não atender aos desejos de consumo de luxo, seja pelo endividamento com os bancos para poder comprar o luxo que deseja. Endividam-se pelos desejos de compras não realizadas ou com os bancos pelo financiamento para realizá-los.
Concorre para mover a corda a corrupção na política. Não apenas pelo desperdício de recursos públicos que vão para os bolsos de alguns, em vez de ir para as políticas públicas, com investimentos para os jovens. Pesam também a decepção e a alienação que excluem os jovens da participação política.
No Brasil, atravessar os anos antes da vida adulta é caminhar sobre uma corda bamba, balançando constantemente diante da omissão do setor público, da desarticulação das famílias, da necessidade de consumo, da violência da droga e, sobretudo, por falta do estável terreno da educação de qualidade assegurada a todos.
cristovam BUARQUE é senador (PDT-DF).

quinta-feira, 2 de junho de 2011

SOBRE CONSUMO E CONSUMISMO

Consumismo é o ato de consumir produtos e/ou serviços, indiscriminadamente, sem 

noção de que podem ser nocivos ou prejudiciais para a nossa saúde ou para o 

ambiente. Há várias discussões a respeito do tema, entre elas o tipo de influência que 

as empresas, por meio da propaganda e da publicidade, bem como a cultura industrial, 

por meio da TV e do cinema, exercem nas pessoas. Muitos alegam que elas induzem 

ao consumo desnecessário, sendo este um fruto do capitalismo e um fenômeno da 

sociedade de agora.


O consumo e consumismo humano

A diferença entre o consumo e o consumismo é que no consumo as pessoas adquirem somente aquilo que lhes é necessário para sobrevivência. Já no consumismo a pessoa gasta tudo aquilo que tem em produtos supérfluos, que muitas vezes não é o melhor para ela, porém é o que ela tem curiosidade de experimentar devido às propagandas na TV e ao apelo dos produtos de marca. No entanto, a definição de necessidade supérfluas é algo relativo, já que um produto considerado supérfluo para alguém pode ser essencial para outra, de acordo com as camadas sociais a que a população pertence. Isso pode gerar violência, pois as pessoas que cometem crimes na maioria das vezes não roubam ou furtam nada por necessidade, e sim por vontade de ter aquele produto, e de não ter condições de adquirí-lo. Nesses casos, a necessidade de consumo se torna uma doença, uma compulsão, que deve ser tratada para evitar maiores danos à pessoa. Muitas vezes o consumismo chega a ser uma patologia comportamental. Pessoas compram compulsivamente coisas que elas não irão usar ou que não têm utilidade para elas apenas para atender à vontade de comprar.
A explicação da compulsão pelo consumo talvez possa se amparar em bases históricas. O mundo nunca mais foi o mesmo após a Revolução Industrial. A industrialização agilizou o processo de fabricação, o que não era possível durante o período artesanal. A indústria trouxe o desenvolvimento, num modelo de economia liberal, que hoje leva ao consumismo alienado de produtos industrializados. Além disso, trouxe também várias conseqüências negativas por não se ter preocupado com o meio ambiente. A Revolução Industrial do século XVIII transformou de forma sistemática a capacidade humana de modificar a natureza, o aumento vertiginoso da produção e por consequência da produtividade barateou os produtos e os processos de produção, com isso milhares de pessoas puderam comprar produtos antes restritos às classes mais ricas.
A sociedade capitalista da atualidade é marcada por uma necessidade intensa de consumo, seja por meio dos mercados internos, seja por meio dos mercados externos, já que um aumento do consumo, registra-se uma maior necessidade de produção, que para atender a esta demanda gera cada vez mais empregos, que aumentam a renda disponível na economia e que acaba sendo revertida para o próprio consumo. O excesso de todo este processo leva a uma intensificação da produção e consequente aumento da extração de matérias-primas e do consumo de energia, muitas vezes, de fontes não-renováveis.
Às vezes, uma pessoa compra pela influência de outras,que na verdade, também são influenciadas pelas propagandas, filmes, revistas e etc. Ou seja, a sociedade cria um padrão, que tende a ser seguido pelas pessoas. Algumas mulheres, por exemplo, geralmente escolhem um corte de cabelo, roupas, sapatos e acessórios da moda com base em alguma atriz famosa.
[editar]Os comportamentos de compra
Segundo psicossociólogos, os consumidores tem o seguinte comportamento na hora de comprar um produto:
§  Racional: O consumidor sabe o que quer comprar e compara preços. As vezes influencia-se pela promoção e pela publicidade, mas o resultado pode ser o oposto caso se sentir enganado.
§  Impulsivo: O ato de comprar serve para canalizar o estresse, reforçado pelo próprio shopping-center ou supermercado, produzindo uma sensação de prazer imediato.
§  Compulsivo: Para esse tipo de comprador, a necessidade de comprar é comparável à de um viciado em drogas. Para os psiquiatras, trata-se de um sintoma de uma desordem emocional. O consumo se dá como uma forma de compensar um vazio, de sentir-se acompanhado, ainda que seja por um objeto.
Há também todo um processo de estimulo dos sentidos das pessoas que se dá no processo de compra. Para algumas pessoas o estímulo é visual, quando estas vêem algo e querem possuí-lo, já outras têm o estimulo olfativo, e por fim o auditivo.
[editar]Tipos de consumidores
[editar]Consumidor individualista
O consumidor individualista é aquele que está preocupado com seu estilo de vida pessoal. Nesse caso compra pelo desejo e prazer de ter o que quer.
[editar]Consumidor eficiente
O consumidor consome de modo eficiente, cuidando do seu bolso e do seu gosto. Costuma pesquisar preços antes da compra e zela pela qualidade dos serviços e produtos que consome.
[editar]Consumidor consciente
O consumidor acredita na possibilidade de contribuir para mudanças locais e planetárias por meio de seu ato de consumo.
[editar]Consumidor responsável
O consumidor leva em consideração as informações recebidas sobre produtos e empresas. Sendo assim, não compra um produto se receba a informação dizendo, por exemplo, que ele ou empresa que o produz prejudicam o meio ambiente.
[editar]Bibliografia
§  Isto é tudo - O livro do conhecimento. São Paulo:três, s.d. p. 174-7.
§  Caderno temático A nutrição e o consumo consciente. São Paulo: Instituto Akatu, 2003.

Consumo E Consumismo: Diferenças, Necessidades E Reflexões

Duas palavras com a mesma raiz, muito semelhantes, mas com significados, implicações nas vidas das pessoas e motivos muito diferentes.
Consumo é alguém adquirir, aproveitar bens, produtos, para satisfazer reais necessidades. Consumimos água e alimentos para podermos sobreviver. Comprar roupas é uma atividade de consumo motivada por uma necessidade real, precisamos nos vestir para vivermos numa sociedade que não aceita a nudez no dia a dia, também para agasalhar nossos corpos do frio, da chuva. Consumimos energia elétrica para que tenhamos uma série de confortos em nossas casas, ambientes de trabalho, mesmo porque hoje em dia é quase inimaginável nossa sociedade funcionando sem energia elétrica. Ou seja, o consumo se baseia em necessidades primordiais para o homem e para a sociedade na qual vive (o que pode variar de pessoa para pessoa, de sociedade para sociedade, porém). Até aqui, vemos que o consumo é uma atividade vital.
O consumismo, por outro lado, é o ato, ou hábito, de adquirir produtos em geral supérfluos sem que haja necessidade real, de maneira muitas vezes compulsiva, gerando até mesmo problemas financeiros para as pessoas, que desviam parte do dinheiro que seria empregado para fins mais necessários para compras sem necessidade. Há quem chegue a graus extremos de consumismo, comprando montes de coisas sem nem saber o que são, para que servem, e depois se arrependem ao ver que perderam dinheiro e criaram dificuldades financeiras para elas mesmas, por vezes sentem-se culpadas, mas não conseguem evitar que essas atitudes consumistas e negativas se repitam. Mesmo sem falar de casos extremos, as atitudes consumistas não costumam levar a fim positivo nenhum. Compra-se por comprar, não se satisfaz de verdade necessidade alguma, mesmo que temporariamente isso pareça acontecer.
Em nossa sociedade atual, o consumismo é incentivado pelas empresas, na mídia, mesmo os indivíduos passam a achar que é "correto", necessário até. Muitos o entendem como sinal de status, de riqueza, de estar "antenado" com as novidades do mercado. Outros consomem vorazmente para gerar uma (falsa e transitória) sensação de bem-estar interior, como se fosse urgente, vital comprar algo para se sentirem em paz, ou mais felizes.
Que uma "shopping-terapia" às vezes faz bem não se pode negar. Você se dar um presente quando está triste, ou quando quer se fazer um agrado, ou a outra pessoa, por achar que merece, isso é válido e melhora o astral, sim. Mas quando a "shopping-terapia" é frequente, útil para preencher um vazio interior que não se entende ou amainar uma dor, uma necessidade gritante, é hora de parar e refletir, procurando entender o que acontece.
Muito diferente do "luxo útil" que já citei em outro artigo, o consumismo desenfreado é mais um sinal de alerta do que de satisfação de uma necessidade verdadeira. Por que alguém se deixa levar pela mídia, por exemplo, e passar a ser uma pessoa consumista, que acha que estará e/ou será melhor se trocar de celular a cada 6 meses, ou todo ano comprar um carro novo, toda semana comprar uma peça de roupa nova...? Será que faltam alguns valores e certezas internos nessa pessoa, do tipo "meu valor e qualidade como pessoa não se medem pelo que tenho, mas pelo que sou de verdade"? Talvez sim. Talvez a pessoa esteja confusa e ache que o consumismo é a atitude certa em nosso mundo atual, já que ela é bombardeada por mensagens para que compre, compre, compre... Talvez tenha atitudes consumistas (consciente ou inconscientemente) para se sentir aceita num grupo, ou demonstrar estar num "nível superior" perante outros e "levantar" uma autoestima comprometida. Ou, como já dito, tem no consumismo uma "solução" (paliativa, temporária) para seus problemas, usa-o para esquecê-los.
Só que, como já dito, o bem-estar gerado por tais atitudes, se existe, é efêmero. Os motivos que levaram a pessoa a comprar e comprar não desaparecem, e aí ela permanece nessa roda-viva de compras, gastos, permanência de insatisfações, compras, gastos...
Quando a gente se percebe consumista, e isso gera um mal-estar, pode pintar uma culpa por nossas atitudes. Mas, menos culpa e mais ação. O que já foi feito, passou. Importante daí para frente é tentar entender o que motiva as atitudes, olhar para dentro de nós e avaliar o que acontece. Isso é um processo de autoconhecimento, de redescoberta do eu e de seus valores sinceros. Só assim poderemos encontrar e resolver os conceitos distorcidos que temos, a desorientação que nos acomete, os problemas de autoestima que porventura existam. Poderemos valorizar o que realmente importa, fortalecer-nos internamente e perante mensagens deturpadas externas e internas, fortalecer nossas ideias construtivas, abandonar falsos conceitos. Crer realmente que a satisfação e o bem-estar verdadeiros vêm do SER, e não do TER ou do PARECER.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A INCONSTITUCIONALIDADE DO PL 122

Antes de fazer qualquer comentário, é importante frisar que uma coisa é criticar conduta, outra é discriminar pessoas. No Brasil, pode-se criticar o Presidente da República, o Judiciário, o Legislativo, os católicos, os evangélicos, mas, se criticamos a prática homossexual, logo somos rotulados de homofóbicos. Na verdade, o PL-122 é contra o artigo 5º da Constituição, porque o projeto de lei quer criminalizar a opinião, bem como a liberdade religiosa.
Vejamos alguns artigos deste PL:

Artigo 1º: Serão punidos na forma desta lei os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual, identidade de gêneros.
Comentário: Eles tentam se escorar na questão de raça e religião para se beneficiar. O perigo do artigo 1º é a livre orientação sexual. Esta é a primeira porta para a pedofilia. É bom ressaltar que o homossexualismo é comportamental, ninguém nasce homossexual; este é um comportamento como tantos outros do ser humano.

Artigo 4º: Praticar o empregador, ou seu preposto, atos de dispensa direta ou indireta. Pena: reclusão de 2 a 5 anos.
Comentário: Não serão os pais que vão determinar a educação dos filhos — porque se os pais descobrirem que a babá dos seus filhos é homossexual, e eles não quiserem que seus filhos sejam orientados por um homossexual, poderão ir para a cadeia.

Artigo 8º-A: Impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público, em virtude das características previstas no artigo 1º desta lei. Pena: reclusão de dois a cinco anos.
Comentário: Isto significa dizer que se um pastor, ou padre, ou diretor de escola — que por questões de princípios — não queira que no pátio da igreja, ou escola haja manifestações de afetividade, irão para a cadeia.

Artigo 8º-B: Proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs. Pena: reclusão de dois a cinco anos.
Comentário: O princípio do comentário é o mesmo que o do anterior, com um agravante: a preferência agora é dos homossexuais; nós, míseros heterossexuais, podemos também ter direito à livre expressão, depois que é garantida aos homossexuais. O parágrafo do artigo que vamos comentar a seguir "constituiu efeito de condenação".

Artigo 16º, parágrafo 5ª: O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.
Comentário: Aqui está o ápice do absurdo: o que é ação constrangedora, intimidatória, de ordem moral, ética, filosófica e psicológica? Com este parágrafo a Bíblia vira um livro homofóbico, pois qualquer homossexual poderá reivindicar que se sente constrangido, intimidado pelos capítulos da Bíblia que condenam a prática homossexual. É a ditadura da minoria querendo colocar a mordaça na maioria. O Brasil é formado por 90% de cristãos. Não queremos impedir ou cercear ninguém que tenha a prática homossexual, mas não pode haver lei que impeça a liberdade de expressão e religiosa que são garantidas no Artigo 5º da Constituição brasileira. Para qualquer violência que se cometa contra o homossexual está prevista, em lei, reparação a ele; bem como assim está para os heterossexuais. A PL-122 não tem nada a ver com a defesa do homossexual, mas, sim, quer criminalizar os contrários à prática homossexual — e fazem isso escorados na questão do racismo e da religião.

fonte: www.vitoriaemcristo.org

segunda-feira, 23 de maio de 2011

LEITURA DE APOIO - 1º 5 E 1º 6

Socialização 
é a assimilação de hábitos característicos do seu grupo social, todo o processo através do qual um indivíduo se torna membro funcional de uma comunidade, assimilando a cultura que lhe é própria. É um processo contínuo que nunca se dá por terminado, realizando-se através da comunicação, sendo inicialmente pela "imitação" para se tornar mais sociável. O processo de socialização inicia-se, contudo, após o nascimento, e através, primeiramente, da família ou outros agentes próximos, da escola, dos meios de comunicação de massas e dos grupos de referência que são compostos pelas nossas bandas favoritas, actores, atletas, super-heróis, etc. A Socialização é o processo através do qual o indivíduo se integra no grupo em que nasceu adquirindo os seus hábitos e valores característicos. É através da socialização que o indivíduo pode desenvolver a sua personalidade e ser admitido na sociedade.A socialização é, portanto, um processo fundamental não apenas para a integração do indivíduo na sua sociedade, mas também, para a continuidade dos sistemas sociais.
É o processo de integração do indivíduo numa sociedade, apropriando comportamentos e atitudes, modelando-os por valores, crenças, normas dessa mesma culturas em que o indivíduo se insere.
[editar]Tipos
§  Socialização Primária: onde a criança aprende e interioriza a linguagem, as regras básicas da sociedade, a moral e os modelos comportamentais do grupo a que se pertence. A socialização primária tem um valor primordial para o indivíduo e deixa marcas muito profundas em toda a sua vida, já que é aí que se constrói o primeiro mundo do indivíduo.
§  Socialização Secundária: todo e qualquer processo subsequente que introduz um indivíduo já socializado em novos sectores do mundo objectivo da sua sociedade (na escola, nos grupos de amigos, no trabalho, nas actividades dos países para os quais visita ou emigra etc.), existindo uma aprendizagem das expectativas que a sociedade ou o grupo depositam no indivíduo relativamente ao seu desempenho, assim como dos novos papéis que ele assumirá nos vários grupos a que poderá pertencer e nas várias situações em que pode ser colocado.



A Construção do Real - Resumo do livro


O autor afirma que para entendermos a sociedade precisamos olhá-la de maneira “objetiva e subjetiva”, pois trata-se de um processo dialético e não de uma seqüência temporal caracterizada por três momentos intrinsecamente ligados: exteriorização, objetivação e interiorização. Como exemplo destes três momentos, o autor diz que um sujeito externaliza seu “eu individual”, tornando-o objetivado na sociedade, ao mesmo tempo em que internaliza a partir da sociedade, os demais “eus individuais” já objetivados nela, num movimento contínuo. Porém o individuo não nasce fazendo parte da sociedade, para isso ele precisa passar por vários “processos de socialização” que acontecem sucessivamente ao longo da vida, mas que se dividem, basicamente, em dois momentos que o autor define como “socialização primaria” e “socialização secundária”. A socialização primaria é única e imprescindível na vida do indivíduo, dá-se na interiorização que acontece na infância com apreensão ou interpretação das primeiras coisas do mundo com que a criança tem contato, geralmente representado pelos pais e outros seres com os quais ela se relaciona. Nesse processo de socialização, ou seja, de interiorização, compreensão, interpretação e adequação que a criança passa para enfim chegar a fazer parte efetivamente da sociedade, o indivíduo passa a ter consciência de si próprio, dos outros e do mundo. Para isso, é preciso que se desenvolva nesse indivíduo o que o autor nomeia de “outro generalizado”, que é a somatória de papéis e atitudes que a criança presencia e assimila, depreendendo a partir deles as principais regras sociais. A linguagem também é o único conteúdo “universal”, ou seja, que todos os indivíduos interiorizam, pois cada sociedade vai disponibilizar conteúdos diferentes para que suas crianças tenham contato, com suas regras sociais próprias e assim por diante. Depois de internalizada, a linguagem torna-se o mais poderoso meio de interiorização e é por ela que se dará a apropriação de outros conceitos e regras sociais. É claro também que o indivíduo não é capaz de interiorizar “tudo” o que está disponível objetivamente na sociedade e que não se pode garantir que a interiorização de indivíduos de uma mesma sociedade aconteçam sempre de uma mesma maneira. Assim, é na socialização primaria que acontece na infância é a constituição do primeiro mundo do indivíduo e, na maioria das vezes, essa concepção é mais forte e dominadora do que todas as outras concepções que ele venha a conhecer posteriormente. O autor ressalta que a socialização primaria, assim como as regras sociais, variam de sociedade para sociedade, mas que ela só termina quando o conceito do “outro generalizado”, e todos os papéis e atitudes que ele representa, foram completamente interiorizados pelo indivíduo, que enfim, pode ser considerado parte da sociedade em que vive, pois conhece suas regras. Porém a socialização primaria não é única, total e permanente, pois toda sociedade tem divisões de trabalho e distribuição de conhecimento e, portanto, um indivíduo não pode fazer tudo ou saber de tudo. Para isso acontece a socialização secundária, na qual ocorrem as internalizações de “submundos sociais”. A socialização secundária é a internalização e a aquisição de novos conhecimentos relacionados a funções especificas e enraizados na divisão do trabalho que podem acontecer nas mais diversas esferas sociais, desde instâncias escolares até as militares. Nelas, os indivíduos internalizam novas regras sociais próprias daquele grupo em especial. A socialização secundaria também pode acontecer em etapas, pois para se chegar a um grupo social pode ser necessário ter conhecimentos e experiências prévias, como por exemplo, para se chegar a universidade tem-se que terminar satisfatoriamente o ensino básico e o médio. Essas etapas obrigatórias, como escola ou habilidades e conhecimentos específicos para se chegar a um determinado grupo social são sempre estabelecidas institucionalmente. O autor também afirma que enquanto a socialização primária depende de uma ligação emocional da criança, na secundária isso não é necessário. A idéia de que o mundo internalizado na socialização primária é único que existe pode vir a gerar muitos conflitos durante a socialização secundária, pois o indivíduo percebe que, na verdade, esse mundo é apenas o primeiro que ele conheceu dentre os muitos outros disponíveis. Serão necessários muitos e poderosos choques para desintegrar a concepção de mundo que a criança internalizou durante a socialização primaria, enquanto os mundos internalizados posteriormente, como a escola ou uma profissão, podem ser destituídos mais facilmente. Assim o “eu interior” de um indivíduo, internalizados na infância, pode facilmente conviver ou separar-se dos outros “eus” internalizados durante a socialização secundária. Do mesmo modo que uma segunda língua é aprendida “em comparação” a língua materna, se dará a socialização secundária em relação a socialização primária.

Fonte: http://pt.shvoong.com/humanities/1719751-constru%C3%A7%C3%A3o-real/#ixzz1NDs0Xucb

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O Massacre no Rio

O massacre de uma dezena e meia de jovens na escola estadual no Realengo/RJ, por um jovem de 23 anos que aparentemente e, até agora, motivo explícito nenhum teria para cometer esta tragédia nos coloca algumas questões que extrapolam o universo da tragédia produzida.
Afirmar que o jovem Wellington era louco ou esquizofrênico ou algo assim, como alguns analistas estão fazendo, é escamotear as razões sociais por trás do crime.
O fato particular e especial de ter colocado sua sanha assassina em andamento na escola onde estudou é muito significativo. Por que a escola e não um shopping, ou uma rodoviária, ou um ponto de ônibus cheio de gente? Voltar até a escola é o sinal mais evidente deixado por este jovem para entendermos suas razões.
Matou na escola por que foi lá que viveu parte de sua vida infanto-juvenil. Descobrir e entender como foi sua vida estudantil naquela escola é a melhor forma de se compreender o que se passava em sua cabeça. A escola pública é hoje o caldeirão que sintetiza a sociedade inteira, especialmente naquilo que ela possui de problemas sociais, desajustas familiares, exclusão econômica, déficit emocional, falta de referências comportamentais e de valores que possam ser reproduzido pelos jovens.
A escola pública a muito deixou de ser um lugar de formação e preparo, e há décadas que se resume a reunir uma camada social desajustada e no mais abandonada e para o qual os poderes públicos não têm projeto nem programa que possa lhes servir para transformar a vida. Explosões de violência entre alunos, descaso e inércia da burocracia escolar, professores agredidos e agredindo alunos mais uma infinita gama de coisas, já projetava a escola como o lugar potencial para uma tragédia como a que vimos.
Wellington não enlouqueceu, ele resulta de um caldo cultural social urbano que ele não conseguiu contornar nem dá outro sentido, senão o sentido, trágico, que ele ofereceu para a sociedade. Morto socialmente (é um invisível), marginalizado numa instituição social, a escola, que nada oferece em termos de possibilidade futuras, largado a própria sorte (a morte da mãe), convivendo com tipos sociais com tão poucas possibilidades como ele, lançou mão do que possuía e conhece – a violência, a mesma violência que a sociedade reproduz todos os dias com seus discursos agressivos de felicidade e realização no consumo.
Se o Brasil ofereceu a 3 ou 4 dezenas de milhões de pessoas a oportunidade de comer iogurte e comprar uma máquina de lavar, outros tantos que já comem e consomem não estão conseguindo ver luz no fim do túnel para além de um supermercado. Aqui mora a angústia. Comprar não torna ninguém mais feliz nem responde outros tipos fundamentais de pergunta.
Wellington nos chama a atenção para coisas que estão além de nos satisfazermos na alegria infantil de consumidor. A vida social nas cidades do mundo está cercada de um nível intolerável de incerteza e indeterminação. Os níveis mais elevados de violência se encontram entre jovens de até 25 anos, faixa etária de jovem Wellington. Os jovens são os que mais estão expostos a liquefação da vida e ao desaparecimento de qualquer coisa ou instituição com que se possa contar. A incerteza, a indeterminação, a imprevisibilidade de qualquer coisa, especialmente sobre si mesmo e o próprio futuro, joga as novas gerações num grau de angustia, estresse e pressão que crescentemente tem terminado em quadros crônicos de Bullying, anorexia, bulimia, violência contra tudo e todos, quando não na explosão alucinada como a da escola do Realengo.
Lembremos que vem crescendo ano a ano a violência contra a mulher, contra o gay, contra o idoso e contra a criança. Se cada caso é um caso, e é certamente todos eles se enlaçam como parte do mesmo caldo de transformações sociais e culturais que o Brasil e o mundo estão vivendo. A promessa de felicidade e realização via mercado não se cumpriu e as pessoas não encontram outra via para viver e se realizar.
Wellington matou e muitos outros gostariam de fazer o mesmo. Segundo a OMS a sociedade ocidental está doente (referindo-se a quantidade de remédios do tipo seja feliz com um comprimido que as pessoas ocidentais tomam) e, Wellington é fruto desta doença.
Este jovem estourou como um tumor na pele da sociedade, mas todos os dias a conta gotas vemos milhares de pessoas morrendo anônima e violentamente nas cidades brasileiras.
Wellington matou dezenas e isso é um massacre, mas a crise financeira de 2008, produzida a partir de Wall Street, levou a falência países inteiros por todo o mundo e a morte de milhares de pessoas e, isso é a barbárie. Mas tanto um como outro resultam da mesma cultura de morte. Luciano Alvarenga, Sociólogo

domingo, 6 de março de 2011

SILÊNCIOS QUE FALAM

Desde quando vivi de muito perto a experiência da “revolta dos estudantes” de maio de 1968 em Paris, comecei a duvidar das teorias que aprendera sobre as mudanças sociais no mundo capitalista.
Essas estavam baseadas na visão da História como uma sucessão de lutas entre as classes sociais visando ao controle do Estado para, por intermédio dele, seja manter a dominação de classes, seja destruir todas elas e construir a “sociedade do futuro” sem classes e, portanto, sem que os partidos tivessem função relevante.
A qual seria crucial, na visão dos revolucionários do século XX de inspiração leninista, apenas na “transição”, quando se justificaria até mesmo a ditadura do proletariado, exercida pelo partido.
Pois bem, nas greves estudantis da Universidade de Paris, em Nanterre e na Sorbonne (assim como nos campos universitários americanos, com outras motivações) que acabaram por contaminar a França inteira e repercutiram pelo mundo afora, vi, perplexo, que as palavras de ordem não falavam em “anti-imperialismo” e só remotamente mencionavam os trabalhadores, mesmo quando esses, atônitos, entravam nos auditórios estudantis “ocupados” pelos ativistas jovens.
Falava-se em liberdade, em ser proibido proibir, em amor livre, em valorizar o indivíduo contra o peso das instituições burocratizadas, e assim por diante. É verdade que nas passeatas havia bandeiras negras (dos velhos anarquistas) e vermelhas (dos bolcheviques). Faltavam os símbolos do novo e mais, na confusão ideológica geral, pouco se sabia sobre o que seria novo nas sociedades, isto é, nas estruturas sociais, do futuro.
Por outro lado, o estopim da revolta não foram as greves trabalhistas, que ocorreram depois, nem choques no plano institucional, mas pequenos-grandes anseios de jovens universitários que, como em um curto-circuito, incendiaram o conjunto do país.
Só que, logo depois, De Gaulle, vendo seu poder posto à prova, foi buscar apoio nos paraquedistas franceses sediados na Alemanha e, com a cumplicidade do Partido Comunista, restabeleceu a antiga e “boa” norma.
Por que escrevo essas reminiscências? Porque desde então o mundo mudou muito, principalmente com a revolução informática. Crescentemente as “ordens estabelecidas” desmoronam sem que se perceba a luta entre as classes.
Foi assim com o desmoronamento do mundo soviético, simbolizado pela queda do Muro de Berlim. Está sendo assim hoje no Norte da África e no Oriente Médio.
Cada vez mais, em silêncio, as pessoas se comunicam, murmuram e, de repente, se mobilizam para “mudar as coisas”. Nesse processo, as novas tecnologias da comunicação desempenham papel essencial.
Até agora, ficaram duas lições. Uma delas é que as ordens sociais no mundo moderno podem se desfazer por meios surpreendentes para quem olha as coisas pelo prisma antigo. A palavra, transmitida à distância, a partir da soma de impulsos que parecem ser individuais, ganha uma força sem precedentes.
Não se trata do panfleto ou do discurso revolucionário antigo e nem mesmo de consignas, mas de reações racional-emocionais de indivíduos.
Aparentemente isolados, estão na verdade “conectados” com o clima do mundo circundante e ligados entre si por intermédio de redes de comunicação que se fazem, desfazem e refazem, ao sabor dos momentos, das motivações e das circunstâncias.
Um mundo que parecia ser basicamente individualista e regulado pela força dos poderosos ou do mercado, de repente, mostra que há valores de coesão e solidariedade social que ultrapassam as fronteiras do permitido.
Mas ficou também a outra lição: a reconstrução da ordem depende de formas organizacionais, de lideranças e de vontades políticas que se expressem de modo a apontar um caminho. Na ausência delas, volta-se ao antigo — caso De Gaulle — ou, na iminência da desordem generalizada, há sempre a possibilidade de um grupo coeso e nem sempre democrático prevalecer sobre o impulso libertário inicial.
Noutros termos: recoloca-se a importância da pregação democrática, da aceitação da diversidade, do direito “do outro”.
Talvez seja este o enigma a ser decifrado pelas correntes que desejem ser “progressistas” ou “de esquerda”. Enquanto não atinarem ao “novo” nas circunstâncias atuais — que supõe, entre outras coisas, a reconstrução do ideal democrático à base da participação ampliada nos circuitos de comunicação para forçar maior igualdade —-, não contribuirão para que a cada surto de rebeldia em sociedades tradicionais e autocráticas surjam de fato formas novas de convivência política.
Agora mesmo, com as transformações no mundo islâmico, é hora de apoiar em alto e bom som os germens de modernização, em vez de guardar um silêncio comprometedor. Ou, pior, quebrá-lo para defender o indefensável como Hugo Chávez ao dizer “que me conste, Khadafi não é assassino”.Ou como Lula, que, antes, chamou-o de “líder e irmão”!
Para não falar dos intelectuais “de esquerda” que ainda ontem, quando eu estava no governo, viam em tudo que era modernização ou integração às regras internacionais da economia um ato neoliberal de vende-pátria.
Exigiam apoio a Cuba, apoio que não neguei contra o injusto embargo à ilha, mas que não me levou a defender a violação de direitos humanos.
Será que não se dão conta que é graças ao maior intercâmbio com o mundo — e principalmente com o mundo ocidental — que hoje as populações do Norte da África e do Oriente Médio passam a ver nos valores da democracia caminhos para se libertarem da opressão?
Será que vão continuar fingindo que “o Sul”, nacional-autoritário, é o maior aliado de nosso desenvolvimento, quando o governo petista busca, também, maior e melhor integração do Brasil à economia global e ao sistema internacional, sem sacrifício dos nossos valores mais caros?
Há silêncios que falam, murmuram, contra a opressão. Mas há também silêncios que não falam porque estão comprometidos com uma visão que aceita a opressão. Não vejo como alguém possa se imaginar “de esquerda” ou “progressista” calando no momento em que se deve gritar pela liberdade.

Fernando Henrique Cardoso é sociólogo e ex-presidente da República