quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Quando a democracia começa a incomodar o colunismo político, a democracia pode estar precisando do Sírio-Libanês ou do Einstein… O SUS não resolve!

Sempre que alguém decide agredir a democracia ou submetê-la à canga de um líder ou de um partido, eu sou tomado por uma obsessão, para usar uma palavra que é do gosto de Lula: reafirmar os valores democráticos. Assim, eu lhes trago outro vídeo em que o então presidente da República fala sobre saúde. Trata-se do discurso que ele fez há exatos dois anos, no dia 3 de novembro de 2009, no 9º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em Olinda. É aquele em que diz que vai tentar convencer Barack Obama a criar o SUS. Vejam. Volto depois.
Voltei
Mais uma vez, antes de comentar o vídeo, algumas considerações importantes. O Brasil vive já há alguns anos sob o signo de um misto de censura e mistificação. E esse monstrengo antidemocrático é encarnado pela figura de Lula. Só por isso algumas pardalocas desarvoradas chegaram a pedir censura na Internet para que as pessoas parassem de dizer aquela “coisa horrível”, “aquela baixeza”, “aquela canalhice”. E o que era essa coisa tão terrível? “Vai se tratar no SUS, Lula!” Acho que o texto que escrevi ontem diz boa parte do que tem de ser dito a respeito.
“Fascistas” são aqueles que consideram “ofensivo” que se possa oferecer a alguém como Lula o que é oferecido ao povo. Não! Eu não acho que ele esteja moralmente obrigado a se tratar no SUS, reitero! Afirmar, no entanto, que tal sugestão é uma “ofensa grave” — a maioria dos portais da Internet cortou comentários com esse teor! — corresponde a ignorar as palavras do próprio petista.
A estupidez foi longe! Leio aqui e ali que Lula colaborou com a “transparência do poder” ao admitir a sua doença e permitir que os médicos concedessem uma entrevista coletiva. Uau! Definitivamente, o homem foi alçado à condição de condestável da República. Eu nem sabia que ele estava no poder! Considerava, na minha santa inocência, que a presidente era Dilma Rousseff. Para mim, o Apedeuta era só o seu antecessor. Notaram o que está em curso? Todo o tratamento dispensado à questão e a mise-en-scène preparada por sua assessoria simulam, com efeito, as agruras de um chefe de estado, de um líder mundial, que ombreia com o próprio papa. Não por acaso, a turma que cuida de seu marketing pessoal se encarregou de tornar pública uma falsa nota de apoiode Bento 16. Isso não quer dizer que o chefe da Igreja Católica não o apóie ou não ore por ele, é evidente.
Há muitos tempo setores da imprensa procuram proteger Lula de si mesmo, de sua história, de suas próprias palavras, o que ajudou a criar o mito e a espalhar mistificações. A figura do notável comunicador “que veio de baixo” — e isso parece suspender o juízo de muitos, o que é uma forma de preconceito às avessas — faz com que muitos ignorem suas bobagens, parolagem e incongruências. E ai daquele que decidir apontá-las! Só pode ser por preconceito! Se Lula já era um super-homem quando saudável, tende a se tornar, doente, um guia espiritual. Caso se cure, o que é o mais provável (continuo a rezar por ele, enquanto petralhas pedem ao capeta que me leve), vira herói; caso se dê o pior, mártir. Bom católico, neste nosso mundo aqui, só sei lidar com pessoas. Deus pertence a outro domínio. DOENÇA NÃO É CATEGORIA DE PENSAMENTO. TAMBÉM NÃO FAZ DE NINGUÉM UM FILÓSOFO. TAMPOUCO MELHORA BIOGRAFIAS.
E por que tantos se ajoelham no milho para demonstrar que sempre reconheceram os méritos sobre-humanos do petista? Porque são reféns morais e ideológicos do PT e temem as hordas da Internet. Não sou nem temo. Rezo, sim, por ele. Não acho que “mereça” ficar doente. Isso é uma ignomínia — essas palavras corrompem a alma de quem as pronuncia. MAS CONTINUAREI A TRATAR LULA COMO UM ACONTECIMENTO DESTE MUNDO! Não é o ungido, não é o Filho de Deus. Ainda que ele próprio possa ficar chocado com a revelação, não é… Deus!
Agora o vídeoEu continuo tentando entender por que tantos ficaram tão “chocados” com o “Vai se tratar no SUS, Lula”. Por que insistem, afinal, em ignorar a pregação do próprio mestre? Seguem a transcrição da fala em vermelho no vídeo que está lá no alto , com comentários meus em azul.
(…) na questão da saúde, muitas vezes, nós fazemos uma discussão, eu diria, equivocada ou menor do que o tema da saúde precisa que seja feita. Muitas vezes nós discutimos problemas menores, nós não damos importância necessária a um direito elementar que é o de todos os brasileiros terem direito a uma saúde de qualidade.
É uma tática antiga de Lula, desde os tempos de sindicalista: anunciar que vai dizer algo inédito, um aspecto no qual ninguém pensou. E qual é? “A saúde é um direito elementar!” Uau!!!
Eu, vira e mexe, participo de debate em que as pessoas falam: “O Estado não serve para nada. Eu, para ter saúde, pago o meu plano médico”. Só que essa pessoa que paga o plano médico, quando declara o Imposto de Renda, restitui uma grande parte do que pagou. Portanto, é o Estado que garante para ela a assistência médica. E assim vale para outras coisas.
É um argumento fraudulento, estupidamente fraudulento. A verdade é o exato oposto. Começa que não existe “restituição” porcaria nenhuma, mas dedução. E ela se deve ao fato justamente de todo brasileiro pagar impostos para ter a saúde que não tem. Mais: à medida que milhões recorrem ao setor privado de saúde, isso desonera o setor público. Ou não? É que Lula só conhece uma linguagem: a do confronto. Sempre opera na lógica do “nós” contra “eles”. Nesse caso, quer jogar quem não tem plano privado de saúde contra quem tem. Reparem na mudança de voz quando imita os supostos reclamantes. Ele faz uma caricatura. Atenção para o que vem agora.
Eu, por exemplo, minha querida Josefa, quando vou fazer um checkup… Porque só rico tem checkup. Rico, autoridade e gente…
Bem, sua assessoria divulgou que seu plano de saúde vai pagar os serviços do Sírio-Libanês, onde ele fez checkup. Não sendo mais autoridade, então é rico, certo?
Porque quando eu vou fazer um checkup, nenhum médico pergunta para mim: “Ô, Lula, você está sentindo isso? Você sente isso. O que você passou ontem?”. É uma máquina, uma fileira de máquina. Máquina um, deita; máquina dois, levanta; máquina três, faz; e máquina quatro, vai. É como… Não, obviamente que tudo chique, tudo necessário. Mas eu me sinto o próprio Charlie Chaplin, naquele filme “Tempos Modernos”. Entra… Você não tem contato, não tem mais a figura daquele companheiro que pergunta: “Escute aqui, você tem dor de barriga? A sua barriga incha, seu pé dói, sua cabeça dói?”. Não tem. Hã, Humberto?
Vejam que, a um só tempo, elogia as máquinas “chiques”, a que a esmagadora maioria dos brasileiros não tem acesso, mas o faz sugerindo que o tratamento está desumanizado, sem aquele “companheiro” médico para dar assistência ao doente. Por alguma razão que não entendi, a platéia urra de felicidade.
Eu falo isso porque eu vivi os dois lados. Eu sei o que é esperar sentado, com a bunda em um banco de um balcão de hospital, três ou quatro horas ou cinco horas, e, às vezes, depois que a gente está lá, dizem: “O médico não está”. Eu sei o que é isso e sei o lado do atendimento vip que tem um Presidente da República, eu sei os dois lados.
Lula também tem atendimento vip, como sabemos, mesmo sendo ex-presidente — e, por isso, não foi para o SUS. Um dos truques prediletos do petista é o tal “argumento de autoridade”. Ele sempre sabe tudo. Tem autoridade para falar como pobre — e, portanto, ninguém pode ocupar esse nicho. E agora sabe como vive um rico. Na verdade, ele é um homem rico.
Então, neste assunto eu falo de cátedra que ainda falta muito para que a gente possa dar às pessoas mais humildes o tratamento respeitoso que todo ser humano precisa ter no mundo. E aí, obviamente que precisa de dinheiro. Ninguém faz saúde sem dinheiro; ninguém faz saúde. De vez em quando se fala muita bobagem de dizer: “Olha…” Tem gente que fala: “Eu vou dar…”, candidato a prefeito fala: “Eu vou dar transporte de qualidade, gratuito”. E depois percebe que não é possível. A qualidade impõe determinados custos que alguém tem que pagar. A saúde de qualidade necessita de dinheiro.
Ah, não me diga! Lula prometeu criar 500 UPAs, as Unidades de Pronto Atendimento. Entregou 91. Sua candidata prometeu entregar mais 500 — mil até 2014. Até setembro, tinha feito UMA! Só neste ano, garantiu contruir 2.175 UBSs (Unidades Básicas de Saúde). Não se tem notícia até agora. Alguém dirá. “Mas e o dinheiro?” O GOVERNO LULA, COMO ADMITE DILMA, USOU OS RECURSOS DA CPMF PARA OUTRAS FINALIDADE, QUE NÃO A SAÚDE. Não faltava dinheiro, mas competência.
E aí a sociedade como um todo tem que se autofinanciar. Veja o que o Obama está passando nos Estados Unidos com a questão da saúde. E lá tem 50 milhões de pobres que não têm direito a nada. Ah, se tivesse um SUS nos Estados Unidos, como seria bom para os pobres. Eu, na próxima conversa que eu tiver com o Obama, eu falo: “Obama, faça o SUS. Custa mais barato, é de qualidade e é universal”, porque… e veja o que ele está apanhando, porque os conservadores não querem mudar nada. Ou seja, as pessoas não querem abrir um milímetro para atender a uma parte da população que não teve direito a nada. Como eu acho que o mundo vai ter que ser cada mais solidário para que a gente possa sobreviver neste planeta, porque está cada vez mais apertado, cada vez tem mais gente e cada vez tem mais problemas, eu acho que nós vamos caminhar para uma sociedade em que a gente, de vez em quando, vai abrir mão de algumas coisas nossas para que outros possam ter acesso àquilo que a gente já tem.
Eis o Lula no seu melhor estilo. Depois de ter lembrado que, afinal, era um dos que ficavam horas com “bunda” na cadeira esperando atendimento, mostra a intimidade com Obama, mas não uma intimidade qualquer. Ele é superior. Está na condição de quem pode dar conselhos àquele, sugerindo que copie o nosso modelo, “de qualidade e universal”. Na seqüência, mais uma vez, “nós” (os progressistas) contra “eles” (os conservadores). Em seguida, fala o profeta planetário, que está pensando coisas cujo alcance é a humanidade.
(…)
Esses dias, eu fiquei indignado, porque nós fizemos uma revista bonita, do Ministério do Desenvolvimento Agrário para levar para a Europa, traduzida. E tem um casal bonito trabalhando na roça, e aparece um companheiro, uma figura humana belíssima, sorrindo, sem um dente na boca. Eu falei: “Companheiro, não é possível que a gente não… antes de tirar a foto, não mandou consertar, arrumar”. Porque tem gente que acha que pobre gosta de ser banguela. Então, essa é uma coisa que nós ainda temos que avançar. E, muitas vezes, não basta ter dinheiro, esse é o problema, é que não basta ter dinheiro. É preciso ter um conjunto de cabeças pensantes e uma palavra nova que eu vou criar: um conjunto de pessoas executantes para que as pessoas possam dar certo. Porque, também, no País, entre você pensar e fazer fica mais fácil atravessar o Oceano Atlântico a nado e ir para a África. Não é uma coisa fácil.
A palavra “executante” pertence ao léxico; não é uma invenção. Numa coisa ele tem razão: não basta ter dinheiro; é preciso também ter competência, o que seu governo não demonstrou na saúde. Ao contrário: essa é uma área que sofreu um notável retrocesso, embora, segundo ele, o Brasil deva ser um exemplo para Obama…
Eu não discuto pessoas, mas políticas públicas. Os primeiros a prometer coisas para pensar no dinheiro depois, fazendo justamente o que Lula condena, foram os petistas. Mais: ficaram durante longos cinco anos com a arrecadação da CPMF, e, como admitiu Dilma, o dinheiro foi desvirtuado. Longe da perfeição, a saúde brasileira certamente não serve de modelo para ninguém. Ainda é preciso ficar horas, meses, com, como é mesmo?, “a bunda” sentada na cadeira…
Reacionários, senhores colunistas patrulheiros e patrulhados, é usar a saúde do povo para construir uma mitologia pessoal e depois recorrer aos serviços do Sírio-Libanês. Eu, a propósito, recorro ao Einstein, mas não dou conselhos a Obama nem digo que o SUS está bem perto da perfeição. Como sintetizou Augusto Nunes, “Lula pode internar-se onde quiser, desde que pare de mentir sobre o sistema de saúde”.
Quanto ao colunismo inconformado com a democracia, resta a saída Coréia do Norte. A alternativa seria a leitura de alguns livros. Mas eu jamais cobro das pessoas o que sei que sei estar além do seu alcance.
Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Terra do Nunca ou adolescentes para sempre - Luciano Alvarenga



A sociedade contemporânea pratica o mais fantástico culto a juventude de que se tem noticia na história da humanidade. Nunca os jovens e o viver juvenil foi uma referência tão forte como vemos atualmente. A figura do Adulto desapareceu. Adulto entendido como o que assume responsabilidade de ser adulto, diz o que é certo e errado, faz o papel de chato impondo limites, e, aceita que a juventude e o tempo do descompromisso terminam.
De repente o recreio não termina mais. Pessoas que deveriam estar à frente de suas comunidades, liderando discussões, arregimentando conversas sobre os problemas educacionais, sociais e urbanos da sua cidade ou local onde moram, querem apenas o fruir da vida, o consumo descompromissado e que alguém resolva os problemas, menos eu. Não são raros os que não assumem a educação nem dos filhos que geram. Enquanto isso jovens embriagados morrem ou ficam paraplégicos às centenas nas estradas, os políticos roubam à vista de todos, os adolescentes se entregam as drogas, as crianças se corrompem em frente à TV e os adultos cada vez mais neuróticos pelo carro que não possuem, pelo corpo que precisam ter e, pela juventude que precisam manter ainda que a cada dia mais velhos.
Ninguém quer, nem deseja, nem espera, muito menos pensa sobre a importância para crianças, adolescentes e jovens do fato de que do adulto se espera que seja uma Referencia. Os adultos querem a audiência, o carinho e a vida que levam os adolescentes quando na verdade o que crianças e jovens esperam dos adultos é que sejam educados por estes. Sem saber saem da adolescência se mantendo adolescentes, tem filhos ao mesmo tempo em que continuam sendo filhos. De repente os adolescentes, quando não as crianças, vivem coisas típicas dos adultos sem o menor preparo para isso e pagam caro pela experiência que não deveriam estar vivendo. E os adultos assistem a tudo como se tudo fosse normal, simplesmente por que não conseguem (não querem?) se colocar entre os jovens e um mundo com os limites cada vez mais largos.
Passamos nós os adultos a aceitar o argumento de que os tempos são outros e, que os adolescentes fazem hoje o que jamais pensaríamos em fazer na mesma idade, para apenas mascararmos o fato de que fazem e se comportam da forma como se comportam por que nós, os adultos, abrimos mão de educá-los, formá-los, prepará-los para uma vida que é ela em sua maior parte, cheia de compromissos e responsabilidades. O que estamos assistindo são pessoas, em sua maioria, na casa dos 25 anos para frente incapazes de tocarem a própria vida e assumirem as responsabilidades por si mesmas e pelo que fazem.
Estamos vivendo uma gama imensa de problemas em todos os tons e matizes, desde problemas emocionais, sociais, religiosos e políticos por que simplesmente a sociedade abriu mão de formar as pessoas capazes de resolvê-los. A sociedade ocidental pela primeira vez na história não consegue preparar as crianças para ocuparem seus lugares no mundo dos adultos. E isso por que os adultos agora não querem largar a infância feliz de apenas fazer o que quer e gosta. Adultos fazem o que precisa ser feito e não o que querem.
Embriagados pela Terra do Nunca do mercado e a realização sem fim dos desejos, sejam eles quais forem, os adultos são consumidos pelo mercado que ao mesmo tempo corrompe crianças, infantiliza adultos e engole cidadãos. Aliás, o mercado que corrompe e infantiliza é o mesmo que inventou a idéia de que ele o mercado é o único que deve pensar em tudo e que cada um pense em apenas curtir. Luciano Alvarenga

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

PELOS INTESTINOS DA VIDA

Por: Luciano Alvarenga

Você não sabe mais nem o que é bom pra você mesmo? Está se perguntando sobre o que é que está acontecendo com o mundo? A sua sensação é a de que todos estão curtindo a vida, vivendo, aproveitando, e só você não está fazendo nada do que gostaria. 
Por acaso você descobriu que a única coisa com a qual você realmente se envolveu foi com o seu trabalho? A sua filha vai fazer quinze anos e só agora você se deu conta de que ela namora. A sua mulher é ótima e só você não sabe!
Quando você pensa no ano que passou a primeira coisa que lhe vem a memória são as coisas que você não fez? Você sempre tem um carnê para pagar? De repente você se pegou querendo o cargo do seu melhor amigo? A sua casa nova, na verdade lhe custou mais do que vale à pena pagar por ela? 
Por acaso você já está na fase de dizer ao seu filho que ele não pode continuar levando a vida que você adoraria voltar a levar? O ditado “é melhor pingar do que faltar” está familiar em sua boca? O seu carro ganhou mais de você, que você mesmo? 
O seu final de semana tem cheiro de carne queimada e cerveja? A última vez que se olhou no espelho você era magro, quase esbelto? A sua vida amorosa se transformou em explicar o por quê dela não existir mais? 
Você vai quitar a metade da dívida do ano passado com o seu décimo terceiro deste ano? As viagens para o litoral já viraram histórias de fim de semana? Alguma vez você disse que ama seus filhos, mas se pudesse hoje não os teria? 
Você percebeu na última briga em casa que, você se parece mais com o seu pai do que gostaria? O sentimento de que você nasceu na época errada está cada vez mais forte? O seu casamento virou um submarino... ele bóia, mas está afundando? 
Você não entende por que os gays fazem tanto sucesso? Irrita-se quando as mulheres dizem que são melhores do que os homens? Ou melhor, não acha mais graça? No seu trabalho você se sente parte da mobília? A sua filha tem mais histórias com os homens do que você com as mulheres?
Alguma vez você disse ao seu colega de trabalho que, casar ter filhos e formar família é parte da vida? Você fica incomodado quando tem um solteiro na festa dos casados? Passar à tarde com os amigos em volta de uma geladeira cheia de cerveja lhe parece melhor do que cortejar uma mulher? 
Já ficou embriagado em festa de criança? É do tipo que bebe até acabar a cerveja, e é o primeiro a sugerir de buscar a saideira?
A rua lhe parece mais agradável e cheia de coisas que lhe aprazem do que sua casa? É impossível não tomar uma antes de ir para cama? 
Você tem vontade de jogar tudo pro alto, mas não tem coragem de pagar para ver? Não sabe quando foi a última vez que pensou em si mesmo, são e lucidamente? 
Você perdeu a noção do que é realmente importante na vida? Você se conformou que não vai realizar seus sonhos, que a vida é isso aí mesmo, o importante é criar os filhos?
... Então você ainda não entrou no século XXI.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Empresas aconselhadas a contratarem sociólogos




Huambo - O sociólogo José Mulusi Abraão aconselhou hoje, quarta-feira, na cidade do Humabo, as empresas públicas e privadas a contratarem sociólogos para intervirem na solução de conflitos laborais entre funcionários e responsáveis de cargos de direcção, cujo impacto reflecte-se directamente na baixa produtividade.


Falando à Angop, sobre a importância do sociólogo no local de trabalho, José Abraão admitiu que em muitas empresas ocorrem conflitos diversos que, além de "destruírem" o normal ambiente de trabalho, geram intrigas entre colegas e concorrem para a diminuição da produtividade.


Citou, como exemplos, o facto de muitos funcionários desconhecerem totalmente as suas obrigações mínimas no local de trabalho, o autoritarismo dos chefes, a resistência dos trabalhadores em submeterem-se a autoridade dos seus superiores e as influências circundantes que afectam o comportamento dos profissionais no local de trabalho.


Considerou, por esta razão, insubstituível o papel do sociólogo do trabalho, por ser um especialista que se dedica ao estudo objectivo e subjectivo, das relações sociais nos locais de trabalho e as implicações sociais da relação trabalho e técnica.


No entender de José Abraão, as mudanças de direcção que ocorrem em muitas empresas, acarretando consigo novos métodos de trabalho, têm sido, em alguns casos, motivos de conflito que justificariam a contratação dos sociólogos do trabalho, cuja missão principal é a de melhorar o relacionamento dos trabalhadores dentro da empresa


Informou que as transformações que ocorrem no mundo do trabalho, principalmente com a introdução de equipamentos modernos, bem como o comportamento do trabalhador no local de serviço ante os vários problemas que o afectam constituem objecto de permanente e de interesse da sociologia do trabalho.


"Muitos trabalhadores demonstram sérias dificuldades em conviver com situações que soem à mudança. Temos mais chefes autoritários ao invés de líderes que sabem criar empatia com os funcionários e exercer uma autoridade que não seja vandalizada, isto, por si só, justifica a presença dos sociólogos nas empresas", argumentou.


José Mulusi Abraão apontou também como causa de conflitos nos locais de trabalho, o desconhecimento dos papéis de cada funcionário e, sobretudo, o excesso de autoritarismo dos chefes.


Na sua visão, do mesmo modo como as empresas recrutam juristas para solucionarem problemas de fórum criminal envolvendo os seus funcionários, também deviam preocupar-se em contratar sociólogos para prevenirem os funcionários de cometerem qualquer infracção que se configure crime.


"As empresas, em geral a sociedade, ainda não compreenderam a importância dos sociólogos", lamentou, para mais adiante fazer lembrar que a génesis e desenvolvimento da sociologia esteve sempre ligado com as mudanças que ocorreram na sociedade.


A sociologia é uma das ciências humanas que estuda as unidades que formam a sociedade, ou seja, estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam os indivíduos em associações, grupos e instituições. Ela divide-se em várias áreas de actuação, entre as quais o trabalho.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Professor, sujeito ou objeto

Por: Luciano Alvarenga


Os partidos políticos estão em crise, há muito não são representativos de coisa alguma - o PT é o último baluarte que cai -, as igrejas perdem fiéis por um lado, e por outro, convertem-se em consórcios para osucesso material; não mais balizam costumes e valores queintermedeiem a sociedade. O Poder Judiciário agonizante há muitosanos, carrega a pecha - verdadeira - de ser parcial, ineficiente, lento e aserviço dos grupos dominantes; o desembaraço com que distribui habeascorpus nas atuais CPIs, evidencia o papel que desempenha no Brasilatual.
O Legislativo é outro lado apodrecido das instituições públicas brasileiras. As câmaras municipais Brasil afora atestam e comprovam ograu de atraso em que estamos. A casa Legislativa é um curral dedisputas privadas; o projeto Brasil passa ao largo desse lugar.
Pesquisas recentes revelam o que a população pensa de taisinstituições; o Judiciário e o Legislativo têm uma aceitação positiva deapenas 3 a 4% da população jovem. A descrença é geral. As únicas "instituições" que ainda gozam de prestígio entre os jovens são a famíliae os professores, com uma aceitação de 98%. Com os professores commelhor aceitação que a família. A boa imagem dos professores mesurpreendeu, tendo em vista a falência da educação, mas chama aatenção para o papel que o professor tem de ter nesse históricomomento.
Diante desse quadro de plena descrença da população com asinstituições, o professor deve assumir uma posição mais impositiva emarcante. É necessário que o professor desempenhe, com mais firmezade propósitos, sua liderança e seu papel público em sala de aula. Étempo do professor ocupar o vazio de referenciais que se formou. Éfundamental abandonar a posição de vítima e de renegado do Estado, nocaso dos professores públicos e, de alheios e alienados no caso dosprofessores particulares. É ora de assumir a frente dos debates ediscussões com os jovens, pois, afinal, o professor não é o único quesofre e é desprezado neste país.
O respeito e a crença ainda delegados aos professores são a chamadapara uma atitude mais efetiva dos docentes neste desancado e desencantado país. O professor, na falta de referências políticas e depessoas que possam ser espelhos de conduta e postura pública, deve colocar-se como alternativa e referência. O professor precisa entendermelhor o que se passa com o país e o mundo; o que se passa com asnovas gerações, suas demandas e percepções de mundo.
O professor precisa remodelar suas velhas fórmulas e posturas emsala e na escola. Precisa entender que a grande revolução que este paístem que viver é educacional. E isso, também, significa o fim dahegemonia do ensino conteudista. Não confunda recursos multimídia comvanguardismo educacional; o que nos falta não é instrumento, mas açãotransformadora.
A educação precisa de uma campanha abolicionista, sem a qual, permaneceremos 150 anos atrasados em relação aos paísesdesenvolvidas. A sociedade precisa compreender que não há paíspossível e com níveis aceitáveis de inclusão e participação social se aeducação não passar por uma revolução; o que significa dizer que aeducação tem que ser a prioridade fundamental e absoluta da Sociedade, do Estado e das Empresas. O mundo fala o idioma do conhecimento e daprodução do saber. País, nação e povo significam, a um só tempo, acapacidade de transformar a população e a sociedade em sujeito ativo e comprometido com a produção do saber e do conhecimento. Dentro dessecontexto o professor é sujeito central, e precisa mais que todos terciência disso.
O professor tem que deixar de ser funcionário e assumir o papel deeducador. Romper sua necessidade de domesticar o aluno e enchergá-locomo inferior, e passar a encará-lo como um sujeito que se insere e constrói o conhecimento e o mundo. O professor tem que ser o primeiro aentender a vida como um processo não apenas biológico, mas biográfico,histórico e coletivo.
O professor tem um papel histórico a ser realizado, e isso lhe será cobrado pelas gerações vindouras. Ou se assume como sujeito público ecoletivo nesse início de século, ou vai associar-se aos caídos homenspúblicos da política, do judiciário e das igrejas.