segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Eu, coxinha

Lobão

Eu, coxinha 

O militante de esquerda é o mauriçola gauche, é aquele tipo que se traveste de ativista de passeata e gasta o seu tempo útil em manifestações inúteis, no afã de exorcizar sua flacidez comportamental, sua virgindade existencial, sua pequena farsa pessoal

Lobão
Músico Lobão
Músico Lobão (JF Diorio/AE)
Durante esses últimos anos, venho recebendo de parte da militância petista uma série de adjetivações pretensamente desqualificadoras, que poderiam ter algum efeito não fosse eu um cara desgrilado, um ser alegre a cantar.
Mas, depois do lançamento do Manifesto do Nada na Terra do Nunca, a petizada militante se enfureceu. Na verdade, antes mesmo de o livro chegar às livrarias, houve quem clamasse pela sua proibição ou queima imediata. A minha estreia como colunista de VEJA aumentou essa fúria, que culminou em um ataque apoplético coletivo por ocasião da minha participação noRoda Viva. Um ilustre deputado petista chegou a pedir a cabeça do Augusto Nunes por ter convidado para o programa um “doente mental” (eu).
E, com aquela falta de imaginação, de humor e de argúcia, característica de certas mentes esquerdistas, puseram-se a vociferar palavras de ordem e impropérios contra mim: “Reacionário!”, “filhinho de papai!”, “coxinha!”. Isso para não citar os mais cabeludos (bicha, maconheiro, cheirador, matricida, esquizofrênico...).
Mas vou concentrar a atenção no “coxinha”, que é o mais recente qualificativo do curto vocabulário dessa rapaziada.
Após esses mais de dez anos do PT no governo, a sociedade está percebendo como se formao aparato de repressão política, censura e difamação montado pelo partido. Se você tem alguma objeção a ele, vira um pária político, moído e asfaltado pela máquina de propaganda estatal, cujos operadores — blogueiros e militantes de plantão na internet — se encarregam do trabalho sujo, na forma de ataques pessoais e truculentos disparados contra qualquer alma que se insurja contra a ideologia oficial. A tática desses operadores é achincalhar o oponente baseados em sua própria e nanica estatura moral.
O simulacro de impropério é construído em torno da miserabilidade do ofensor, que, ofendido com a própria natureza, desanda a chamar os não alinhados daquilo que mais enxerga em si mesmo, na vã tentativa de escapar de sua jocosa e aflitiva condição. Sendo o grande alvo dessa patocracia delirante a classe média — e sendo o militante de esquerda uma espécie de burguês pós-moderno —, o xingamento “coxinha” aparece como um desses casos de projeção psicológica flagrante.
O militante de esquerda é o mauriçola gauche, é aquele tipo que se traveste de ativista de passeata e gasta o seu tempo útil em manifestações inúteis, no afã de exorcizar sua flacidez comportamental, sua virgindade existencial, sua pequena farsa pessoal. É invariavelmente um “multiculturalista”, que acredita que um rap é superior a Bach. É o sujeito moldado na previsibilidade comportamental dos doutrinados, que expele seu déficit de percepção da realidade através da soberba convicção dos imbecis. Refém da uniformidade acachapante dos clichês entrincheirados em sua mente vacante, profere as frases mais gastas e cafonas que se pode imaginar.
Para esse tipo de pessoa, tenho aqui um par de versos de Adam Mickiewicz (1798-1855) que cairá como uma luva:
“Tua alma merece o lugar a que veio
Se, tendo entrado no inferno, não sentes as chamas”.
Assim, convido todos aqueles que, como eu, são agraciados pela esquerda com essas e outras adjetivações a acolhê-las com benevolência e humor, com a percepção de estarmos sob a égide de frouxocratas histéricos que teimam, em sua monomania vã e molenga, em nos assolar com seus fantasmas internos e suas abissais impossibilidades.
E, usando o rebote como mantra, proferirei, contrito: coxinhas de todo o Brasil, uni-vos! 
O cantor e compositor Lobão é colunista de VEJA.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O que são Recursos Didáticos?

O que são Recursos Didáticos?

São componentes do ambiente de aprendizagem que estimulam o aluno. Pode ser o monitor, livros e recursos da natureza, etc.

Dessa forma, podemos ver que tudo o que se encontra no ambiente onde ocorre o processo ensino-aprendizagem pode se transformar em um ótimo recurso de didático, desde que utilizado de forma adequada e correta.

Não podemos nos esquecer que os recursos didáticos são instrumentos complementares que ajudam a transformar as idéias em fatos e em realidades.

Eles auxiliam na transferência de situações, experiências, demonstrações, sons, imagens e fatos para o campo da consciência, onde então eles se transmutam em idéias claras e inteligíveis.

Recursos didáticos são métodos pedagógicos empregados no ensino de algum conteúdo ou transmissão de informações.

Qual a função desses recursos:

Quando usamos de maneira adequada, os recursos de ensino colaboram para:

1- Motivar e despertar o interesse dos participantes;
2- Favorecer o desenvolvimento da capacidade de observação;
3- Aproximar o participante da realidade;
4- Visualizar ou concretizar os conteúdos da aprendizagem;
5- Oferecer informações e dados;
6- Permitir a fixação da aprendizagem;
7- Ilustrar noções mais abstratas;
8- Desenvolver a experimentação concreta.

terça-feira, 11 de junho de 2013

A angústia de ser Homem



A angústia de ser Homem


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As roupas de adulto que o Vergonha Rio Preto não veste
Luciano Alvarenga, Sociólogo

Há alguns anos escrevi um artigo, “A angústia de ser mulher”. Estes dias republiquei, e me desafiaram a escrever a angústia de ser homem. Confesso que demorei meses até o momento de redigir este texto e, mesmo assim ainda me sinto inseguro em tratar do assunto.
Em primeiro lugar é preciso dizer que a realidade das mulheres nas últimas décadas tem sido muito mais debatida, discutida e avaliada do que a dos homens e isso, naturalmente, em função de que as mulheres foram as grandes protagonistas das maiores transformações ocorridas no ocidente no século XX. Mas vamos aos homens.
A revolução feminina deslocou a identidade masculina. O homem, de ator principal na cena pública, ocupa hoje quase os mesmos lugares, mas agora sem o mesmo poder, sem a mesma imponência e, principalmente, a primazia do discurso público não esta mais em suas mãos. O que pensam, querem ou desejam os homens está completamente ausente dos debates parlamentares, dos discursos das ONGs, das falas midiáticas, enfim, a questão masculina não interessa. E quando me refiro a homem estou me referindo ao tipo hetero, médio, monogâmico.
A força do homem não esta mais em ser homem, como é a força da mulher o fato de ser mulher; e claro uma mulher que se revela no espaço público e no mercado de trabalho de maneira altiva e ativa. Mas se a força do homem não é o simples fato de ser homem, qual é então? Esse é o problema, o homem não sabe ser outra coisa ou revelar-se de alguma maneira que não seja aquela atrelada ao seu papel tradicional de homem dono do pedaço. Não sendo dono do pedaço ainda não consegue ser outra coisa. O homem médio ainda se sente estranhado entre as mulheres que pareiam com ele no mercado de trabalho, na vida amorosa, na rua, nos espaços sociais sejam eles quais forem. O aumento da violência contra a mulher é uma expressão desse estranhamento, dessa perda de poder e, por que não dizer, medo.
Uma certa feminização do masculino – em alguma medida até uma parcela dos gays – é mais um indicativo de um homem que copia um padrão estético dominante, pelo menos dominante nos mass media, do que propriamente um homem que se transmuta em direção a um novo modelo de masculino mais próximo dos tempos novos em que vivemos.  Ou seja, aqueles homens mais afeminados são uma expressão não de uma saída, de um caminho que se avizinha para uma nova identidade do masculino, mas na verdade mais uma expressão da profundidade da crise do homem. Este homem mais feminino, pelo menos em boa parte dos casos, pode revelar um homem que mais se esconde no feminino, mais se apaga e se retira de cena, deixando à mulher o papel protagonista, e nesse sentido a sobrecarregando ainda mais, do que propriamente um homem novo que se desvela. O macho dominante e toda a cultura hetero que se formou em torno dele foi tão forte, e predominou por tanto tempo que é muito difícil ainda, ao homem, se ver ou construir sua identidade desconectado daquilo que foi por tanto tempo.
A presença forte das mães, das esposas, das mulheres em geral, de certa maneira, é outro lado disso. Sem uma referência de masculino marcante e nova, sem um mapa do que seja ser homem neste novo contexto societário em que vivemos, o homem, sejam adolescentes ou não, se encolhem e aceitam o domínio e a influência de mulheres fortes, suas mães, avós ou amigas, e deixam de trilhar o caminho de afirmação de sua identidade.
É a crise do homem, que não raras vezes se expressa pela violência.
“Os homens não tomam atitude”, “não decidem”, “sempre esperam a mulher dizer”, “são acomodados”, “não assumem compromisso”, “tem dificuldades em dividir as tarefas domésticas”, “quando em casa, se comportam como filhos”. “Até no affair deixaram de tomar iniciativa”. Estas são algumas das frases facilmente escutáveis num papo entre mulheres. Em outras palavras, os homens murcharam. A julgar pelos discursos de determinadas minorias, o heterossexual masculino é um ser quase sinônimo de machão, misógino, burro, homofóbico, atrasado. Isso responde em alguma medida a posição intimidada e recalcitrante do público masculino.
O apequenamento masculino na cena social também e, principalmente, está associado ao fato de que o discurso prevalecente, a palavra forte, a linguagem hegemônica, pelo menos nos meios mais cosmopolitas e midiáticos, está todo ele ligado a mulher. A mulher é o sujeito novo que se consolida. Ela é a referencia e, portanto, quem dita o ritmo e a velocidade do discurso.
O homem, esse estranho ser cheio de pelos (alguns se depilam para acelerar as mudanças), ainda está mais associado ao passado, ao velho poder, as velhas taras, vícios e tudo aquilo que nessa vida liquido moderna não queremos mais, e que ele está diretamente ligado.
O homem é uma destas “instituições” que o sociólogo alemão Ulrich Beck chama de “zumbi”. Está morto, mas ainda vive. É claro que me refiro não ao biológico, mas o homem social, datado e com qualidades específicas de uma época que vai se enterrando na velocidade deste novo século. É zumbi no sentido de que ainda se define, em larga medida, por referências sociais, comportamentais, religiosas e educativas, afetivas inclusive, que reavivam experiências de um mundo que ruiu na revolução feminina. O homem ainda é este ser que dialoga mais com o passado do que com o presente ou, pelo menos, ao não se revestir com uma nova e contemporânea identidade, seja lá o que isso possa ser, está sempre atrelado e sendo acusado de extemporâneo, atrasado, de outro tempo que passou. A mulher, não são todas, diga-se de passagem, passou para a outra margem do rio, mas o homem, não.
Luciano Alvarenga, Sociólogo

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Daniela Mercury sai do armário e entra no cofre dos baianos. Ou: O lesbianismo estatal de Jaques Wagner


Daniela Mercury sai do armário e entra no cofre dos baianos. Ou: O lesbianismo estatal de Jaques Wagner

Ai, ai, ai, ai…
Leio notinha no Estadão informando que a cantora Daniela Mercury, aquela que anunciou que agora tem “esposa”, vai desfilar com seu trio elétrico e cantar o Hino Nacional da Parada Gay de São Paulo.
Até aí, tudo certo! É compreensível que ela tenha se tornado um “ícone” — como se diz hoje em dia nos cadernos de cultura até quando se escreve sobre falador de rap… — do movimento gay. Há quem diga que Daniela foi “supercorajosa” ao assumir a sua homossexualidade e coisa e tal. Por mim, está tudo bem.
O que é absolutamente inacreditável, escandaloso mesmo, é saber que o governo da Bahia, do companheiro Jaques Wagner (PT), é que vai pagar o cachê da cantora: R$ 120 mil.
Então vamos ver. Daniela decide anunciar ao Brasil que é lésbica. Ninguém ficou chocado, o que é bom. Ainda que isso só diga respeito a ela mesma, achou que todos deveríamos participar de sua celebração. OK. O mínimo que a gente espera dos heróis de qualquer causa é algum sacrifício ou renúncia, não é mesmo? Isso é próprio da condição.
Não existe heroísmo no estado de gozo permanente. Aliás, em termos, digamos, psicanalíticos, esse gozo permanente seria a negação da civilização. Mas deixemos de lado essas especulações agora. Daniela vai subir no palco, ser ovacionada por sua coragem e… levar R$ 120 mil dos cofres públicos baianos.
Ou por outra: o governo da Bahia estatizou o lesbianismo e fez de Daniela a sua representante. O que deveria ser, então, um ato de resistência contra, sei lá, os caretas, os conservadores, os reacionários, os cultores do tradicional “papai-e-mamãe” (em vez do “mamãe-e-mamãe” e “papai-e-papai”), vejam que coisa!, se transforma em oficialismo dos mais reacionários — e agora entendo que Daniela Mercury não tenha chamado a sua mulher de “mulher”, mas de “esposa”. Já contei aqui que, tão logo assumi um cargo de chefia num jornal, aboli essa palavra. Eu jamais transaria com a minha “esposa”. A gente transa (Daniela também) é com mulher, certo?
Está aí. Tenho escrito alguns textos sobre o caráter que o Bolsa Família vai assumindo no Brasil. Dissemina-se a cultura de que a função do bom patriota é esperar que o estado lhe forneça renda, moradia, emprego, roupa, anticoncepcional, camisinha, pílula do dia seguinte, aborto. Até a homossexualidade, como se nota, tem de ser estatizada — e lembro que a Parada Gay já conta com farto financiamento público.
“Ah, mas Daniela terá custos…” Pois que recorra à iniciativa privada se não tiver como bancar a própria apresentação — ela poderia fazer esse sacrifício porque isso é próprio dos heróis, reitero.
Notem bem: ainda que a grana fosse paga para ela se apresentar na parada gay de Salvador, já estaríamos diante de um completo absurdo. Sendo realizada a festa fora da Bahia, aí já é um escracho. Ou ela virou agora embaixadora do lesbianismo baiano?
O Brasil é mesmo singular, é mesmo curioso — e há uma grande chance de que não dê certo por isso. Antes mesmo de a homossexualidade ser encarada pela maioria dos brasileiros como algo normal, corriqueiro, já virou uma espécie de crença do Estado. E, no Brasil, isto já é uma tradição que sempre resulta emzerda, o Estado tem a ambição de fundar a sociedade, em vez de a sociedade fundar o Estado, que é o caminho normal . Se não me engano, Daniela tem uma música que diz algo mais ou menos assim:  ”O canto desta cidade é meeeuuu!!!”. Já pode começar a cantar: “O cofre da Bahia é meeeuuu…”
O Brasil ainda vai inventar o gay e a lésbica de crachá.
Por Reinaldo Azevedo

terça-feira, 21 de maio de 2013

Camisa-de-força


Camisa-de-força
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 4 de janeiro de 2011 

As declarações recentes da Igreja Anglicana do Brasil em favor do Projeto de Lei 122/06 fornecem-nos o exemplo completo e acabado da duplicidade de linguagem a que é preciso recorrer quando se defende o indefensável. Embora o estilo bífido seja o mais notório hábito do demônio, seu emprego não merecendo respeito nem tolerância sobretudo quando praticado em nome da religião, isto não implica, da parte de seus usuários, nenhuma intenção consciente de ludibriar o ouvinte ou leitor. Ao contrário: nos dias que correm, aquela ambigüidade sorrateira, perversa, que encobre com as mesmas palavras as ações mais opostas e contraditórias, já se tornou em muitas pessoas um vício automatizado e quase que uma segunda natureza. Isso não as desculpa de maneira alguma: o mal não se faz menos detestável porque uma rotina entorpecente o tornou indiscernível do bem.
Em si, o documento não tem aquele mínimo de consistência que o tornaria merecedor de uma resposta; está abaixo da possibilidade de ser debatido; só pode ser analisado como sintoma de vícios de pensamento que hoje em dia são gerais e endêmicos na sociedade brasileira.
O objetivo nominal com que se apresenta é contestar, com ares de quem passa pito, algumas objeções correntes àquela proposta legislativa, especialmente as que a vêem como instrumento destinado a limitar severamente a liberdade de expressão.
Crítica comum ao PLC n.º 122/06 é a de que o mesmo proibiria as pessoas de ‘criticarem a homossexualidade’ (sic) e que implicaria numa ‘ditadura’, numa ‘mordaça’ àqueles que ‘não concordam’ com o ‘estilo de vida homossexual’. Contudo, essas colocações se pautam ou em um simplismo acrítico ou em má-fé de seus defensores.
Contra essa objeção, alega a Igreja Anglicana que naquele projeto de lei “não há criminalização específica da discriminação não-violenta por orientação sexual ou por identidade de gênero”. Assim, estaria resguardado o direito à crítica: “Opiniões respeitosas, embora críticas, à pessoa homossexual não configurarão crime por força do PLC n.º 122/06”.
Se o leitor suspira aliviado diante dessas observações, faria melhor em notar que elas significam o oposto do que parecem dizer. Prossegue o documento: “Criticar a homossexualidade e não a pessoa homossexual concreta implica em (sic) um discurso segregacionista ... que se equipara a discursos de ódio que não pode ser tolerado.” A redação abominável mal esconde o sentido ameaçador daquilo que pretende vender como inofensivo: você pode criticar o homossexual por qualquer outra coisa – por usar uma gravata berrante, por cometer tantos erros de português quanto o porta-voz da Igreja Anglicana ou por soltar gases no elevador – mas nunca por sua conduta homossexual. Pior: não pode falar mal do homossexualismo em si, genericamente, sem qualquer referência a uma pessoa concreta, pois ser contra o homossexualismo é “discurso de ódio”, obviamente punível pelo PLC-122/06. Mais claramente ainda, o documento afirma que todas as modalidades de discriminação serão castigadas, ainda que “sejam tais ações perpetradas por motivação moral, ética, filosófica ou psicológica.” Quer dizer: a motivação moralmente elevada e a alta elaboração intelectual da crítica ao homossexualismo não a tornarão menos criminosa, nem menos punível.
Notem que aí o conceito de discriminação abrange quatro ações possíveis: agredir, constranger, intimidar e vexar. Vexar, prossegue o documento citando o Dicionário Houaiss, é “causar vexame ou humilhação, sendo vexame tudo o que causa vergonha ou afronta”. Ora, qualquer ensinamento que tente mostrar a um cidadão o caráter imoral ou pecaminoso da sua conduta, mesmo que o faça nos termos mais gentis e carinhosos do mundo, não tem como deixar de lhe infundir um sentimento de vergonha. Mais que vergonha, culpa e arrependimento, que não vêm sem humilhação. Em suma: a simples pregação moral que tente induzir um indivíduo a abandonar as práticas homossexuais já está catalogada de antemão como crime e nivelada às ações de “agredir, constranger e intimidar”.
A permissão de “opiniões respeitosas, embora críticas” é com toda a evidência uma armadilha destinada a proibir toda e qualquer opinião crítica, mesmo moralmente digna e fundada em motivos intelectualmente relevantes.
A própria escolha do adjetivo revela a ambigüidade maliciosa do autor do escrito. “Opiniões respeitosas”, diz ele. Respeitosas a quem e a quê? Respeitosas à pessoa humana somente ou respeitosa aos seus hábitos homossexuais também? É evidente que, se alguém considera um hábito respeitável, não tem por que criticá-lo do ponto de vista moral; se o critica, é porque não o considera respeitável de maneira alguma. Dito de outro modo: você pode criticar o homossexual, desde que aceite sua conduta homossexual como respeitável e superior a críticas e desde que se abstenha de dizer até mesmo alguma palavra contra a homossexualidade em geral.
Chamar isso de mordaça é eufemismo. Mordaça impede apenas de falar, não de pensar. O PL-122/06 não é uma mordaça: é uma camisa-de-força mental que impõe a todos os possíveis críticos do homossexualismo uma obrigação psicológicamente impossível, a de criticar sem críticas. Muito mais que restringir a liberdade de expressão, estrangula a liberdade de pensamento. É uma lei propositadamente absurda, feita na base da estimulação contraditória para instilar na população um estado de perplexidade apatetada, temor irracional e obediência canina. Se esse monstrengo jurídico digno da Rainha de Copas nasceu da pura confusão mental de seus autores ou de um propósito maquiavélico de reduzir o público à menoridade mental, é algo que se pode conjeturar. As duas hipóteses não se excluem – nem no projeto em si, nem na sua apologia anglicana.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

José Genoino e João Paulo Cunha não me representam
Os deputados petistas condenados por corrupção ativa e formação de quadrilha (José Genoino) e por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro (João Paulo Cunha) não me representam porque não votei neles.
Mas representam os que votaram, os que concordam com eles e, até que não seja efetivada a cassação já decidida pelo Supremo, representam o Parlamento brasileiro.
Faz sentido eu sair fazendo beicinho por aí, com ai-ai-ais e ui-ui-uis estampando cartazes “não me representam”? Aliás, com essas condenações, eles poderiam representar é um outro grupo, não é mesmo? Um deles ao menos poderá ser representante, por um tempo ao menos, da população carcerária.
A dupla integra nada menos do que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a mais importante. O PT delegou a um quase-presidiário — questão de tempo — avaliar a constitucionalidade das leis que passam pela Casa.
Convenham! Isso já é coisa para beijo de língua!

domingo, 10 de março de 2013

O VÍDEO EM QUE FELICIANO, AGORA DEMONIZADO PELO PT, PEDE VOTO PARA DILMA EM ENCONTRO RELIGIOSO. OU: Os que agora babam estavam com o deputado pastor em 2010. Quem pariu Mateus que faça naninha com ele! Eu estava do outro lado!


10/03/2013
 às 17:31

O VÍDEO EM QUE FELICIANO, AGORA DEMONIZADO PELO PT, PEDE VOTO PARA DILMA EM ENCONTRO RELIGIOSO. OU: Os que agora babam estavam com o deputado pastor em 2010. Quem pariu Mateus que faça naninha com ele! Eu estava do outro lado!

Ai, ai… Eu trabalho muito, muito mesmo!, como sabem. Mas também me divirto à pampa! “À pampa”??? Você está velho, lembrando Paulo Francis, citado por minha querida amiga Lúcia Boldrini, quando a morte de alguém de quem você nunca ouviu falar gera comoção e vai para as primeiras páginas… E quando emprega a locução adverbial “à pampa”. Por que isso? Porque não há nada mais saboroso do que lançar algumas iscas para pegar idiotas que babam e ver os idiotas que babam cair na armadilha como… idiotas! Aprendam, bobalhões: não dou ponto sem nó.
Escrevi nesta manhã um texto em que aponto o coquetel de hipocrisias nessas manifestações contra o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), eleito por seus pares presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. OS IDIOTAS entenderam que eu o defendi. Por idiotas, não perceberam nem mesmo que eu demonstrei que ele errou ao recorrer a uma citação bíblica. SE A ORIGEM DOS POVOS E A GEOGRAFIA DA BÍBLIA DEVESSEM SER TOMADAS (NÃO DEVEM!) COMO REFERÊNCIAS HISTÓRICAS DEFINITIVAS, nem foram os descendentes de Canaã, amaldiçoado por Noé, a se espalhar pela África. Não! Eu contestei o pastor com matéria de fato — no caso, reitero, a matéria de fato é a referência bíblica, não aquilo para a qual ela remete nesse particular. A Bíblia é uma fonte de pesquisa histórica como um discurso sobre os fatos (inclusive os fatos míticos), não como uma reportagem do tempo. Adiante!
Também está lá que eu jamais escolheria Feliciano para presidir aquela comissão porque, escrevi, por mim, “ele nem teria sido eleito”. Se deputado não fosse, presidente não seria, certo? MAS OS IDIOTAS ESTÃO GRITANDO, ESPERNEANDO, EXERCITANDO SEU ÓDIO HUMANISTA, E NÃO ENTENDEM O QUE ESTÁ ESCRITO. LEEM O QUE QUEREM, NÃO O QUE O OUTRO ESCREVEU.
E, sim, fui claro, COM ZERO DE AMBIGUIDADE, ao demonstrar que o deputado — NÃO NOS CASOS CONHECIDOS AO MENOS — não foi nem racista nem homofóbico. Isso é grito de guerra de militantes das mais variadas causas, em especial dos petistas, que agora decidiram ir para as ruas. É EVIDENTE QUE EU SABIA QUE OS BABÕES VIRIAM AO MEU ENCALÇO. Joguei as iscas para poder pegá-los e vê-los a se debater, tentando sair da cadeia da lógica. Naquele texto, eu indagava: “Como é que Feiciano chegou lá”.
Chegou porque foi um dos mais ativos militantes em defesa da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República. E usou a tribuna religiosa para fazer essa defesa. Abaixo, há um vídeo em que ele fala a fiéis e também a pastores. Canta as glórias da então candidata. Está com uma camiseta: “Sou cristão e voto em Dilma”. Fala ali da criação de um “Centro de Inteligência Digital”, que foi mobilizado durante a campanha. Vejam o vídeo. Volto em seguida.

Acordo com o PTDurante a campanha eleitoral de 2010 (e também na 2012 à Prefeitura de São Paulo), quem promoveu a chamada “guerra religiosa” foram os petistas, não os tucanos, à diferença do que noticiaram os setores engajados da imprensa. Vejam que coincidência: Gabriel Chalita foi mobilizado para defender a agora presidente junto aos católicos. Apesar de haver 11 inquéritos civis contra ele no Ministério Público de São Paulo, preside a Comissão de Educação da Câmara. Protestos nas ruas? Nenhum! Feliciano fez parte de um grupo que atuou no mesmo sentido junto aos evangélicos. E preside a Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Quem o colocou lá? Na prática, foram os petistas. Eis a cara e a prática do partido: a cúpula faz acordos os mais espúrios, os mais inacreditáveis, os mais escandalosos (afinal, é a turma do mensalão!), e as “bases” são mobilizadas pelas redes sociais, com o apoio da imprensa, para satanizar este ou aquele. E depois tomam 500 pessoas nas ruas como movimento de massa. Imaginem se os evangélicos decidirem competir…
Está ali no vídeo: uma das tarefas de Feliciano era sair negando por aí que Dilma fosse lésbica — acusação que jamais se ouviu, ainda que na forma de murmúrio, até porque se sabia, desde sempre, que isso é falso — e que fosse defensora da legalização do aborto, O QUE ELA ERA, SIM!, COMO ESTÁ COMPROVADO.Feliciano fez parte, em suma, do núcleo de evangélicos que tentou demonstrar para uma fatia importante do eleitorado que a então candidata petista era uma boa representante de sentimentos também, como direi?, “conservadores”. Fez parte da turma que montou uma  lavanderia de reputação religiosa para a petista, para falsear o seu real pensamento. Ele era um agente que colaborava para, se me permitem, “deslaicizar” a política.
Reparem no seu discurso. Saiu por aí a repetir todos os clichês do petismo, sobre como Lula teria mudado definitivamente o Brasil e coisa e tal. O PT quis esses votos. O PT lutou por esses votos. O PT lutou por essa base de apoio no Congresso. E as coisas têm um preço. Como as esquerdas, cúpidas que são, abriram mão da Comissão de Direitos Humanos, que não deve render grandes negócios, ela foi parar nas mãos de um deputado evangélico, que é contra o casamento gay e se confunde ao digredir sobre a descendência e a geografia da Bíblia.
Ele é homofóbico? Ele é racista? Se é, há que se comprovar. Pelas declarações dadas até agora, não! Isso é coisa típica do analfabetismo moral que toda militância enseja: “Se é para pegar nosso inimigo, vale tudo, até a mentira!”.
Eu não votei nele.
Eu não votaria nele.
Feliciano apoia um grupo que eu gostaria de ver longe do poder.
Ele não é da minha turma.
Eu não tenho turma.
Ele votou na mesma candidata destes que agora estão nas ruas — ou também o PSOL não se juntou a Dilma no segundo turno?
Joguei a isca e esperei a baba rossa para, confesso gostosamente, postar agora esse vídeo.  Por que a petezada, mesmo a militância partidária, não anunciou que recusava o voto dos evangélicos? Edir Macedo, chefão da Igreja Universal do Reino de Deus, um defensor fanático do aborto — ele, sim, torce o Eclesiastes para justificar a sua tese —, recorre às mesmas práticas do pastor Feliciano para financiar a sua igreja, por exemplo. Há um vídeo em que Macedo, com um chicote na mão, tira “o diabo” do corpo de um homossexual. E eu não vi militância na rua. O PT governa com aqueles que cativa, ora essa! Os dois lados certamente sabem a razão do acordo.
Caminhando para a conclusãoNão! Eu não defendi Feliciano, não! Ao contrário: talvez eu tenha feito a ele a crítica mais dura, porque assentada num fato. Para contestar o que ele pensa, não preciso atribuir a ele crimes que não cometeu. As coisas que ele fala e pensa, mesmo as não criminosas, bastam para que não façamos parte da mesma turma.
Mas atenção! Os que vieram babar aqui no meu blog, vocês, sim!, estiveram em companhia de Feliciano durante as eleições. Vocês estavam do mesmo lado. Eu não! Todo mundo sabe que votei em José Serra para a Presidência. Pelo meu voto, Feliciano jamais teria chegado à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. ELE CHEGOU LÁ PELO VOTO DE VOCÊS. Vocês elegeram Dilma e o PT, e o arco de poder influente pôs o deputado naquele cargo.
O meu texto buscava deixá-los, babões, bem assanhados para deixá-los, agora, sem saída. E, sim, continuarei a defender o direito que as pessoas têm de defender que “casamento” é só aquele previsto na Constituição, entre homens e mulheres — ainda que eu seja favorável ao casamento gay. Mas tolero quem pensa de modo diferente.
A fraude moral e ética de vocês está, entre outras, em querer os votos da turma que segue Feliciano e depois ambicionar jogar o homem fora. Não é assim que se toca essa música, não! Vocês, os que me atacam, é que defenderam Feliciano, não eu! Eu, naquela eleição, estava do outro lado. Esse Mateus é de vocês; façam naninha com ele e parem de criar mistificações e de tentar encher o meu saco. Porque isso não me enche, não! Só me estimula a escrever mais.
Para encerrar
Não vai vai haver protestos contra a presença dos petistas João Paulo Cunha e José Genoino na Comissão de Constituição e Justiça? Vocês não acham que isso é uma espécie de elogio do peculato, da corrupção ativa, da corrupção passiva e da formação de quadrilha?
Hein??? Já que eu estou velho mesmo (51), termino assim: “Podem vir quente, que eu estou fervendo”..
Por Reinaldo Azevedo